Homenagem lusófona a Gonçalo Ribeiro Telles

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A 25 de Maio de 2017, dia em que Gonçalo Ribeiro Telles completou 95 anos de idade, decorreu no Salão Nobre do Palácio da Independência, em Lisboa, uma Homenagem a esta insigne personalidade que nos deixou recentemente, por iniciativa do Instituto Gonçalo Ribeiro Telles. O Presidente deste Instituto, o nosso amigo João Reis Gomes, convidou-nos a proferir uma breve alocução, convite a que acedemos de imediato, com a maior honra.

Nessa breve alocução, proferida de improviso, procurámos sobretudo justificar o quanto o pensamento e a obra de Gonçalo Ribeiro Telles mereciam o reconhecimento público de uma entidade como o MIL: Movimento Internacional Lusófono, algo que, à partida, poderia não parecer óbvio a todos os presentes na sessão.

Com efeito, à partida poderia supor-se que as preocupações de Gonçalo Ribeiro Telles eram sobretudo locais – e que, nessa medida, um movimento com preocupações sobretudo geoculturais e geopolíticas pouco ou nada teria a dizer sobre o pensamento e a obra de Gonçalo Ribeiro Telles. Nada de mais errado. Desde logo, porque toda a preocupação “local” de Gonçalo Ribeiro Telles advinha de um pensamento estruturalmente global. Era porque “pensava globalmente” que Gonçalo Ribeiro Telles procurava “agir localmente”.

E muito (bem) agiu, como todos sabemos. Na premissa, profundamente verdadeira e fecunda, de que, se todos cuidarem devidamente do seu “local”, é todo o “global” que sai favorecido. Não há, de resto, melhor forma de favorecer o “global”. Daí o fundamental equívoco daqueles que, em nome de um suposto amor abstracto pela Humanidade, parecem indiferentes aos concretos humanos que lhes estão mais próximos, o fundamental equívoco daqueles que, em nome de um suposto amor abstracto pelo “global”, parecem desprezar o “local”.

Contrapolarmente, a Lusofonia que mais importa realizar não poderá ser nunca um fim em si mesmo: um mero projecto abstracto, que não tenha em conta a realidade concreta de cada um de nós. A valorização dos elos linguísticos – no caso, entre os muitos milhões de falantes da língua portuguesa – deve ser sobretudo um meio: não apenas para a valorização da língua como da nossa cultura, na sua multiformidade. E não apenas. Deve ser também um meio para cada comunidade de língua portuguesa valorizar devidamente o seu território. Com a cooperação activa de toda a comunidade lusófona, a nível global. Ainda e sempre, seguindo o insigne exemplo de Gonçalo Ribeiro Telles. ■

Para a Revista NOVA ÁGUIA nº 27, a levantar voo no final do primeiro trimestre…