Nos 100 anos da Teoria do Nacionalismo Galego, de Vicente Risco (III)

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Disserta depois, Vicente Risco, sobre “a nacionalidade galega”, abordando os seguintes tópicos: “o que é uma nação” (pp. 16-18); “o chão galego” (p. 18); “a gente galega” (pp. 18-19); “a fala galega” (pp. 19-20); “a sociedade galega” (pp. 20-22); “a mentalidade galega” (p. 22); “o sentimento galego” (p. 23); “os interesses e os problemas da Galiza” (pp. 23-25). No capítulo seguinte, “A ética do nacionalismo galego”, fala-nos dos “direitos da Galiza como região espanhola” (p. 26), dos “direitos da Galiza como nação” (p. 27-28), do “dever da Galiza como nação” (pp. 28-29) e da “vontade nacionalista” (pp. 29-30). O capítulo seguinte, “A teleologia do nacionalismo galego”, será porventura o mais original. Nele, após falar sobre “a crise do europeísmo” (pp. 30-31), faz a apologia do “atlantismo” (pp. 31-32), que contrapõe à “civilização mediterrânica”, estabelecendo ainda uma ponte com as “nações célticas” (pp. 32), distinguindo, nessa esteira, “três civilizações” (pp. 32-33).

Assim, segundo o próprio Vicente Risco, temos a “civilização mediterrânica”, como a “civilização da Inteligência”; a oriental e a norte-americana, como a “civilização da Vontade”; finalmente, “a de Portugal e da Galiza é a civilização da Memória…Morrinha e Saudade”. A esse respeito, convoca expressamente o nome de Leonardo Coimbra, considerando, porém, “o saudosismo e o criacionismo português ainda lírico demais”, e acrescentando: “A missão histórica da Galiza e de Portugal é de opor ao mediterranismo, o atlantismo, fórmula da Era futura” (p. 33). A esse respeito, disserta ainda sobre o “símbolo do Atlântida” (pp. 33-34), alegado “símbolo da nossa civilização céltica” (p. 34). Por fim, no capítulo sobre “A pragmática do nacionalismo galego”, fala-nos sobre “As Irmandades da Fala” (pp. 34-35), “O programa de Lugo” (pp. 35-40) e as “Conclusões aprovadas em Santiago” (pp. 40-44).

Um século depois, obviamente, muitas destas “Conclusões” estão irreversivelmente datadas, tal como acontece com a sua obra-irmã portuguesa – falamos, claro está, da Arte de ser português (1915), de Teixeira de Pascoaes, de quem Vicente Risco foi muito próximo. Na correspondência entre ambos recentemente editada (Teixeira de Pascoaes, Vicente Risco: Epistolário, Allariz, Fundação Vicente Risco, 2012), podemos ler expressões como estas: “Meu querido Confrade” (20/2/20), “Meu querido amigo” (10/3/20), “Meu querido amigo e confrade” (20/3/20), “Meu muito estimado confrade” (12/5/20), “Meu querido confrade e amigo, irmão na saudade e na esperança” (21/5/20), “Meu muito querido camarada” (12/11/20), “Meu querido camarada” (12/12/20), “Meu querido irmão” (10/7/21); “Querido irmão” (21/8/21), “Queridíssimo irmão” (18/3/26)”. Algo porém de inteiramente actual nas duas obras se mantém – desde logo, a prevalência da acção no plano espiritual sobre os planos político, social e económico. Um século depois, importa, cada vez mais, ter isso em conta. ■