Ainda que não com esse título formal, António Ferro foi o melhor Ministro da Cultura que Portugal teve no século XX – facto que só não é mais consensualmente reconhecido por mero preconceito ideológico.
Fernanda de Castro foi a sua companheira de sempre – companheira com obra própria, porém. Neste número, foi essa obra própria que evidenciámos, através de mais três dezenas de textos e testemunhos, que nos chegaram por via de Mafalda Ferro, sua neta e Presidente da Fundação António Quadros, nossa parceira institucional, a quem, desde já, aqui agradecemos.
No século XXI, a pandemia que tem assolado todo o mundo durante este ano é já o acontecimento mais relevante, à escala global, destas duas últimas décadas. Daí o repto que lançámos ao nosso universo de colaboradores: “Pensar de novo, pensar o novo: em tempos de pandemia”. Foram mais de uma dezena e meia de textos que nos chegaram e que aqui publicamos, começando pela colaboração sempre valiosa de Adriano Moreira.
O ano de 2020 fica igualmente marcado pelo falecimento de Mário Bigotte Chorão, eminente figura do nosso pensamento jurídico, que aqui evocamos. Neste ano, passa igualmente uma década sobre a morte de António Telmo, figura não menos eminente do nosso pensamento histórico, cultural e filosófico. Neste número, publicamos “doze apontamentos inéditos” do próprio António Telmo – no próximo número, publicaremos um conjunto de dezasseis “Cartas para António Telmo”, de Dalila Pereira da Costa, bem como mais de uma dúzia de textos e testemunhos sobre o seu pensamento e obra, que tem sido republicada pela Zéfiro.
Neste número, evocamos igualmente, de forma mais breve, outras oito figuras da nossa cultura – de Albano Martins, poeta homenageado, a título póstumo, na edição de 2019 do Festival Literário “Tabula Rasa”, co-organizado pelo MIL: Movimento Internacional lusófono e pela NOVA ÁGUIA, a (de novo) Pinharanda Gomes, a figura em maior destaque no número anterior. E publicamos ainda mais oito “outros voos” – começando por um texto de António Braz Teixeira, o primeiro texto de uma obra entretanto lançada com a chancela do MIL.
Por fim, no “Bibliáguio”, publicamos mais uma série de recensões de obras culturalmente relevantes – falando aqui apenas das primeiras quatro: “Vida conversável”, na sua versão integral, de Agostinho da Silva (publicação da Zéfiro, na Colecção NOVA ÁGUIA); “Portugal, Razão e Mistério: a Trilogia”, de António Quadros (filho de António Ferro e Fernanda de Castro, a quem demos destaque no décimo segundo número da Revista); “O Século dos Prodígios: a Ciência no Portugal da Expansão”, de Onésimo Teotónio Almeida; e “As Literaturas de Língua Portuguesa (das origens aos nossos dias)”, de José Carlos Seabra Pereira, uma obra fundamental para a consolidação futura da nossa comum cultura lusófona.
Como recordamos no “Memoriáguio”, foi ainda possível lançar publicamente o número anterior da Revista – no dia 10 de Março, na nossa sede institucional (Palácio da Independência, em Lisboa). Todas as várias dezenas de sessões de apresentação agendadas, em todo o país, para as semanas seguintes, foram porém canceladas, dado o estado de pandemia, que levou igualmente ao fecho das livrarias. Tal só não provocou o estrangulamento financeiro da Revista porque muitos Amigos da NOVA ÁGUIA encomendaram entretanto, por via postal, um número significativo de exemplares. Gratos, por terem assim permitido a persecução do nosso Voo. Este número é-vos particularmente dedicado. ■
Lançamento: 22 de Outubro, 17h, no Palácio da Independência (Lisboa).




