Volume III das “Obras Escolhidas” de Manuel Ferreira Patrício

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No volume III das “Obras Escolhidas” de Manuel Ferreira Patrício, que cobre o período de 1989 a 1995, um período particularmente fecundo, sobretudo no eixo da Teorização da Educação, começamos por dar destaque a dois conjuntos de Lições – Lições de Filosofia da Educação e Lições de Axiologia Educacional –, publicadas, na primeira metade da década de noventa, com a chancela da Universidade Aberta.

Esses dois conjuntos de Lições denotam bem a profundidade e amplitude da sua Teorização da Educação – as Lições de Filosofia da Educação são, antes de mais, um Curso de Filosofia, particularmente fundamentado na tradição europeia e ocidental, mas que, não obstante, se abre ao diálogo mais amplo com outras tradições sapienciais do Oriente – nomeadamente: o Vedismo, o Budismo, o Confucionismo e o Taoismo. Impressiona, com efeito, a erudição de Manuel Ferreira Patrício, que reconstitui, com detalhe, essas tradições outras, sem contudo cair, como é tão frequente entre nós, em fáceis deslumbramentos…

Ao invés, esse diálogo mais amplo com outras tradições sapienciais do Oriente permite-lhe, em última instância, revalorizar a nossa tradição europeia e ocidental, por mais que esta, como lucidamente assinala, esteja ainda por se cumprir de modo pleno. Daí que esse regresso que nos propõe à Antiguidade Grega, muito mais do que um regresso ao nosso mais remoto passado filosófico, se constitua, sobretudo, como um “regresso ao futuro”, ou seja, à potência que está ainda, aristotelicamente, por se plenificar.

Para além desses dois conjuntos de Lições, coligimos ainda, neste volume, mais de três dezenas de textos, muitos deles publicados em revistas da área educativa – nomeadamente: Revista Inovação, Revista Noesis, Revista Educação, Revista Educação e Liberdade, Cadernos Escola Cultural, Revista Escola Cultural e Revista Portuguesa de Educação –, algumas das quais também aqui apresentadas, depois, pelo próprio Manuel Ferreira Patrício (na secção “Apresentações de Obras”, onde igualmente publicamos o seu extenso Prefácio à obra A Filosofia de Henri Bergson, de Leonardo Coimbra, onde retoma e desenvolve algumas das teses da sua Dissertação de Doutoramento).

Por fim, republicamos neste volume uma interessantíssima entrevista concedida, ainda em 1989, à Revista Noesis, de que nos permitimos destacar o seguinte excerto: “O futuro da educação parece-me como inseparável do próprio futuro de Portugal. Ora eu sou um optimista: um optimista empenhado, que quer construir e participar na construção, e não um “voyeur”, um mirone da construção dos outros. Direi, por conseguinte, que o futuro da nossa educação, como o nosso futuro colectivo como Nação e como Pátria, tem de ser melhor do que é o presente e do que foi desde há séculos o passado. Mas ninguém nos virá dar esse futuro; somos nós que temos que o dar a nós próprios (…)”. ■ 

Edição do MIL: Movimento Internacional Lusófono (para encomendar: info@movimentolusofono.org)