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Segundo as crónicas árabes dos séculos X e XI, foi na semana entre 19 e 26 de Julho de 711 que ocorreu a batalha de Guadalete, na actual Andaluzia. O último rei visigodo da Península Ibérica, Rodrigo, foi derrotado pelas tropas invasoras do califado omíada, comandadas por Tariq ibn Ziyad. Na sequência desse desaire das forças cristãs, os muçulmanos dominaram a Península durante vários séculos: mais de 500 anos em Portugal e quase 800 em Espanha.

Faz 876 anos desde que os portugueses derrotaram os mouros na Batalha de Ourique. Ponto alto da Reconquista Cristã contra a ocupação islâmica, foi ao mesmo tempo a pedra angular da independência nacional.

Travada, segundo a tradição, a 25 de Julho de 1139, a batalha de Ourique foi um acontecimento crucial no processo da fundação da nacionalidade. Foi depois dessa vitória contra uma importante força muçulmana inimiga que D. Afonso Henriques passou a usar o título de ‘rex’ (rei) de Portugal – isto é, assumiu, na prática, a condição de monarca de um reino de facto independente, apesar de o reconhecimento ‘de jure’ ter demorado ainda umas dezenas de anos.

A outorga do Condado Portucalense a D. Henrique de Borgonha por Afonso VI de Leão e Castela, em 1096, não deu àquele território do noroeste da Península Ibérica uma autonomia maior do que a de outros domínios senhoriais, que mantiveram relações de vassalagem com o suserano. Apesar de bisneto de um rei de França, D. Henrique era quarto filho do duque da Borgonha e ocupava um lugar inferior ao seu primo Raimundo, que fora recompensado com a Galiza e com a mão da primogénita de Afonso VI, D. Urraca.

O filho de Raimundo e Urraca viria a suceder ao avô no trono de Leão e Castela com o nome de Afonso VII. Para Henrique ficou uma filha natural de Afonso VI, D. Teresa. Quando D. Henrique morreu, em 1112, foi a condessa viúva (que usava o título de rainha – ‘regina’ – por ser filha de rei) quem assumiu o governo do território.

  1. Afonso Henriques (1109-1185), filho do conde D. Henrique e de D. Teresa, alargou o território de Portucale, libertando-o do jugo de muçulmanos e leoneses. O jovem Afonso tomou as rédeas do governo em 1128, após ter derrotado os fiéis de sua mãe na batalha de S. Mamede, perto de Guimarães. Logo a seguir a esse combate, os documentos da chancelaria de D. Afonso Henriques passaram a exibir um selo com uma cruz e a palavra Portugal.
  2. Apoiado pelos nobres de Entre-Douro-e Minho, o chefe guerreiro afirmou a sua autoridade em sucessivas vitórias, com destaque para o combate conhecido como a batalha de Ourique, a 25 de Julho de 1139, em local até hoje desconhecido. Os historiadores continuam divididos entre várias localidades do centro e do sul de Portugal (incluindo Lisboa), tendo quase todos abandonado a ideia tradicional que localizava o combate em Ourique, no Alentejo, dada a grande distância que separa esta área dos territórios cristãos, a Norte. Durante séculos foi aceite que, na sequência dessa vitória contra cinco reis mouros, os nobres portugueses aclamaram D. Afonso Henriques como rei.

Grande impacto teve ainda o famoso “Milagre de Ourique”, forjado pelos monges de Santa Cruz de Coimbra no início do século XV – significativamente, durante as guerras com Castela do tempo de D. João I, um período crucial para a afirmação da identidade nacional, como nota o historiador José Mattoso. Diz a lenda que, pouco antes da batalha, D. Afonso Henriques teve uma visão de Cristo incitando os portugueses à vitória. Só em meados do século XIX a investigação positivista de Alexandre Herculano deitou por terra o mito.

A visão de D.Afonso Henriques
A visão de D.Afonso Henriques

Em 1143, pelo Tratado de Zamora, Afonso VII de Leão reconheceu por fim – ainda que de forma tácita – a independência de Portugal, ao admitir o título de rei usado pelo seu primo D. Afonso Henriques. Este apressou-se a declarar a vassalagem do novo reino ao Papa. O reconhecimento formal pela Santa Sé chegou mais tarde, em 1179, através da bula Manifestis probatum, do Papa Alexandre III.

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