António Costa ouve os primeiros apupos

Depois de governar mais de três anos em verdadeiro “estado de graça”, António Costa foi pela primeira vez apupado em público, mostrando que já nem o chapéu-de-chuva da geringonça, que permitia neutralizar a contestação da esquerda, está a funcionar.

O ‘spin’ de António Costa tem gerido ao milímetro uma panóplia de acções de propaganda e, na passada semana, a ida ao Encontro Ciência 2018 era mais uma. Simbolicamente, ficou marcada pelo facto de ter sido a primeira que correu mal a António Costa.

Os cientistas bolseiros estão cansados de não verem regularizada a sua situação, e mesmo que o Primeiro-Ministro tenha seguido a cartilha da dar sempre boas notícias, e de ter anunciado mais financiamento para a Ciência, ouviu fortes apupos. Esta é uma séria razão para preocupação para Costa, pois o “estado de graça”, uma vez perdido, dificilmente se reconquista, e as eleições europeias e legislativas aproximam-se a passo acelerado, com as sondagens dos últimos meses a darem o PS a cair nas intenções de voto.

Era indisfarçável o mal-estar entre investigadores e bolseiros que receberam o Primeiro-Ministro e o Ministro da Ciência, Manuel Heitor, vestidos de preto e empunhando cartazes onde se lia “luto pela Ciência”. Mesmo quando o chefe do Governo admitiu que “é também fundamental continuar a investir nas bolsas de doutoramento e pós-doutoramento…”, as dezenas de bolseiros presentes no Encontro Ciência 2018, que decorreu em Lisboa, apuparam-no ruidosamente. António Costa fez uma pausa e completou a frase: “… de forma a continuar a valorizar o conhecimento científico do nosso País”. Mas os apupos já não pararam, e foram repetidos quando António Costa falou em quem distorce as carreiras que “estão legalmente estabelecidas, em particular a carreira docente”.

Refira-se que as reivindicações dos profissionais precários na Ciência visam o “cumprimento efectivo” do programa de regularização de vínculos laborais precários no Estado, a contratação de investigadores-doutorados prevista na legislação de estímulo ao emprego científico, o “reforço do investimento” na Ciência e no Ensino Superior e a contratação de leitores das universidades.

  • Leia este artigo na íntegra na edição impressa desta semana.
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