Agora que a mais descabelada fabulação tomou conta da série de televisão “3 Mulheres”, na qual três grandes Senhoras são separadas da vida real sem poderem defender-se, é tempo de pôr os pontos nos is. Faço-o, naturalmente, porque uma das três mulheres visadas é Maria Armanda Pires Falcão, nome cívico de Vera Lagoa, fundadora e primeira Directora deste jornal; e porque, no espectáculo televisivo que se ocupa de guras da História, tem de haver limites para a liberdade de inventar.
Deixem-me começar por uma apreciação global, para que não se pense que critico com preconceito: a série “3 Mulheres” é um razoável entretenimento televisivo de sexta à noite, com um competente ritmo narrativo, uma interpretação geral satisfatória, uma caracterização visual aproximada das pessoas que pretende retratar e uma boa reconstituição de época no vestuário, nas viaturas, nos penteados, no mobiliário, nos objectos e ‘props’ em geral. A reconstituição de época tem falhas nos diálogos, onde por vezes surgem expressões nascidas no século XXI que não fazem sentido na boca dos personagens dos anos 60 e 70 do século XX (“é mesmo a tua cara”, por exemplo), mas releve-se isso à conta da necessidade de tornar inteligível para telespectadores de hoje uma trama que, de origem, já requer algum conhecimento histórico do período em que a acção se situa.
Para o telespectador comum, que não tome muito a peito o rigor das coisas, é uma série leve que faz recordar modismos de uma época cheia de pitoresco e reviver memórias de sabor nostálgico, à maneira clássica do “Conta-me como foi”.
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