Brasil: eu não acredito em bruxas, mas que as há…

Breve medição da temperatura política no Brasil de hoje, depois de uma primeira volta eleitoral em que Lula da Silva foi levado nas palminhas por sondagens que erraram escandalosamente e por uma comunicação social tendenciosa.

A política brasileira é complexa e aparece-nos de tempos a tempos, ora porque existem candidatos engraçados ora porque algo está mesmo a acontecer.

Nas últimas semanas tenho me estado a aventurar na política brasileira com a ajuda de profissionais de marketing político como convidados no Podcast Conversa, e tenho aprendido bastante – mais que não seja, que o marketing político lá está num nível estratosférico, com histórias, grupos de manipulação, pequenos bandeirantes de candidatos que vão tendo como objectivo que alguém um dia comente as suas aventuras eleitorais.

A Comunicação Social portuguesa, uma vez mais, mostrou ser uma lástima e voltou a dar-me razão quando digo que é o inimigo do povo. Porque o é. E não é de agora, pois Mark Twain terá dito: “Se não lês jornais não estás informado, se lês estás mal informado”.

Os jornais portugueses apenas põem notas de destaque para Lula e colocam Lula num patamar de santo, quando para trás está um falso trabalho de sindicalista e de um condenado pela justiça brasileira, quer seja por subornos, quer seja por desvio de dinheiro dos brasileiros, mas nada que uns subsídios não façam esquecer. Pior do que isso: por escravizar o povo em seu proveito. Mas o que vale é que, depois, os portugueses é que são os malvadões…

As televisões, até quando Lula estava atrás na contagem dos votos, punham o seu nome com maior destaque, ou em primeiro lugar, isto para não falar dos comentadores de serviço que iam desmaiando em directo por Bolsonaro estar à frente.

Bolsonaro não é meu candidato, até porque não sou brasileiro, logo a minha preferência vale zero. Mas realmente dá que pensar o porquê de tanto ódio, talvez por ser alguém obstinado e que não aceita um não como resposta, ou porque não faz o que os jornalistas querem. De qualquer modo, a democracia brasileira não teve nenhuma amputação, ninguém é preso por discórdia ou cancelado por dizer coisas diferentes, isso é o papel da extrema-esquerda.

Os problemas de Bolsonaro são sobretudo de comunicação e a forma como fala. No que mais interessa, o Brasil, que fez o que os outros países não fizeram, por medo, manteve a economia a funcionar, e por isso é o único país sem inflação no mundo; e tem a gasolina mais barata, que chatice…

Há outra questão importante a perceber. Afinal, o que raio aconteceu com as sondagens? Porque erraram tanto? Sim, erraram e não há margem de erro que as salve. Qual é a agenda de pôr Lula a vencer logo na primeira volta? Bolsonaro ia ter 29% dos votos e afinal teve perto de 44, são praticamente 14% de erro, curioso número.

O povo brasileiro é reactivo. Bolsonaro bate recorde de bancada, mas isso os jornais portugueses não dizem. Dos 27 senadores eleitos, 20 são bolsonaristas, mas isso não importa dizer.

Dia 30 de Outubro é o dia do juízo final. Já o dia 31 (Dia das Bruxas) será de caça às bruxas.

Bolsonaro já avançou a data do subsídio governamental, que calha 5 dias antes das eleições, que pura coincidência, não é? Eu não acredito em bruxas, mas que as há… 

Agora é a corrida ao Nordeste, ou seja, tirar de lá a força de Lula, que consta com o apoio de Ciro Gomes, candidato de centro-esquerda, que bate em retirada daquilo que se pensou: transferência de votos do centro-esquerda de Ciro para Bolsonaro, e os votos de Simone Tebet de centro-direita para Lula. As teorias nunca me convenceram, mas era nisto que se posicionavam. Tebet queria roubar espaço a Bolsonaro e Ciro esvaziar o de Lula, pois estes binómios, apesar de politicamente próximos, estavam discursivamente distantes. Ciro já sabemos; Tebet pediu autorização ao partido, vamos ver. 

Já o rato político do Geraldo Alckmin, além de se perceber que vende a alma ao diabo, mata o seu partido. Ele que foi dos principais torpedeiros do ‘impeachment’ da Dilma, agora vem dizer que Lula da Silva é a oitava maravilha do mundo, e assim sentenciou à morte o seu partido, o PSDB. E assim se calam os tucanos, como são chamados os seus militantes.

Vamos aguardar por este mês eleitoral, que será pródigo, uma vez que agora é o frente-a-frente, miras apontadas à cabeça e o digladiar final nas ruas, havendo políticos a incentivar atropelamento de determinados tipos de militantes. Consegue adivinhar de onde vêm estas ameaças muito “democráticas”? Dos hipócritas da extrema-esquerda, que os órgãos de comunicação social tanto amam e normalizam em Portugal.

O Brasil, passados 200 anos, ainda não é capaz de ter um processo eleitoral a decorrer com normalidade, sem que haja um clima de ameaça constante. Por isso é que emigram para Portugal. Todavia, alguns deles têm a lata de criticar Portugal e ainda de dizer que a culpa da anarquia brasileira é da pátria colonizadora. Ora, 200 anos já devia ser tempo de maturidade suficiente.

Viva a democracia verdadeiramente livre, viva! ■

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