Braço de ferro em Verão quente

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Marta Brito

O aumento dos salários dos funcionários públicos vai inevitavelmente ser o grande tema até ao Orçamento de 2019, já totalmente na recta final de lançamento das próximas eleições legislativas. É mesmo a grande questão que pode fracturar profundamente as relações do PS com os partidos de esquerda de que depende no Parlamento, mas também pode causar bastantes engulhos à direita.

Apesar de os funcionários públicos, nos estudos estratificados das sondagens, aparecerem maioritariamente como eleitores do PS e dos partidos mais à esquerda dos socialistas, António Costa resolveu começar a baixar expectativas. Para já, tem contra si toda a esquerda da geringonça, o PSD e a poderosa CGTP capaz de pôr a contestação nas ruas.

Mas regressemos ao lançamento do tema para a praça pública por parte de António Costa, que com a sua tradicional habilidade política (e falta de pudor no recurso à demagogia mais primária) condicionou o discurso político para os próximos meses.

O Primeiro-Ministro começou o mês de Maio – em que o PS irá ter o seu Congresso – a advertir que toda a margem orçamental não pode ser gasta com salários de quem já está na Administração Pública, e que tem de haver meios para a contratação de mais pessoal para os serviços.

António Costa defendeu esta tese na cerimónia de apresentação do novo simulador de pensões, e depois de o Ministro do Trabalho, Vieira da Silva, ter referido que abriu um concurso para recrutamento externo de mais 200 profissionais para a Segurança Social. O Primeiro-Ministro pegou neste anúncio de Vieira da Silva e reconheceu que na Segurança Social, tal como na Saúde, Educação ou Forças de Segurança, “faltam recursos que é necessário preencher”.

“Temos de ser capazes de gerir a margem orçamental que temos – e que está prevista no Programa de Estabilidade – de uma forma inteligente. Isso passa necessariamente por prosseguir a trajectória de reposição dos vencimentos na Administração Pública e de desbloqueamento das carreiras”, declarou, antes de deixar um recado a quem pressiona por mais aumentos salariais.

  • Leia este artigo na íntegra na edição impressa desta semana.