A jovem Mariana, essa velha conhecida

A jovem Mariana, essa velha conhecida por José Guilherme Oliveira

“O Bloco de Esquerda até tem uma líder lésbica, que moderno que ele é”, terá pensado o camarada Fernando Rosas, orgulhoso de tanto progressismo. Foi este Fernando que, à data, com escárnio, assinalava o facto de o dirigente do CDS Mesquita Nunes ter assumido a sua homossexualidade, dizendo… “o CDS até tem um dirigente ‘gay’, aí que modernos!!!…”.

Confesso que, para mim e para a maior parte dos portugueses, é completamente indiferente, mas, pelos vistos, não o é para a nova líder Bloco, que, previamente à sua candidatura, resolveu “sair do armário” (nós até que desconfiávamos…), o que revela algum preconceito por mais absurdo que aparente.

Mas deixemos a sexualidade da Mortágua no âmbito da sua privacidade, que é onde deve estar.

Quem é a Mariana e quem é que ela representa: “jovens burgueses cripto-comunistas e habilidosos pantomineiros da velha escola”.

Era esta a fórmula usada pelo deputado socialista Sérgio Sousa Pinto, querendo referir-se à ala que está agora à frente dos destinos do Bloco.

Por falar em destino, que Deus nos livre.

Se, de algum modo, já estávamos habituados ao tom da Catarina Mortágua e às suas homilias, o cenário vai radicalizar-se.

“Uma mega feminista”, disse a Mariana na sua apresentação.

A Mariana não engana ninguém, honra lhe seja feita, pois dali esperamos um anti capitalismo radical, (para não lhe chamar primário), um discurso anti propriedade privada, anti liberal, globalista, anti Europa e anti Nato, “wokista”, de defesa dos trabalhadores e dos pobres, mas também de saque, (“A primeira coisa que acho que temos de fazer é perder a vergonha de ir buscar dinheiro a quem está a acumular dinheiro”, ouvi-a dizer diferentes vezes, assustado, mesmo eu que não pertenço à classe dos “acumuladores de dinheiro”). Vislumbro em tais propostas uma ambição igualitária, mas rasteirinha, a de criar um país de pobrezinhos e todos dependentes ou de mão estendida ao Sr. Estado todo poderoso.

O discurso de contestação vai subir de tom, até porque a Mariana e os seus camaradas sabem que disputam o negócio do desagrado e da revolta do povo, fustigado e desanimado, com o Chega, que está actualmente sozinho na liça.

A Mariana Mortágua, sendo jovem não é uma novata e recolheu bastantes créditos pelas várias comissões de inquérito onde foi protagonista, quer pela sua inteligência, quer pela eficácia e assertividade a roçar o acinte com que inquiria. Corajosa e dura, expôs vários poderosos e donos disto tudo à real dimensão de reles aldrabões.

Se lhe reconheço capacidades e inteligência, temo a sua proposta política e incomoda-me desde logo a forma e o modo com que a promove.

E se um dia destes temos uma “geringonça” 2.0?

Que ninguém diga que não sabia.

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A matriz é sempre a mesma, Francisco Louçã por Diogo Gil Gagean

Leni Riefenstahl deve estar orgulhosa. O palco estava montado, a cenografia também e a líder há muito escolhida. Aclamada por votos de braço no ar, o partido que mais gosta de proibir tudo, acabava, sem surpresa, de escolher Mariana Mortágua. Esta bem olhava para trás, juntamente com o seu séquito, para ver quem votava nela e seguramente que um qualquer cacique apontava num bloco o nome de quem se atreveu a não votar na nova santidade.

A excitação com o congresso e com a eleição da nova líder pode ser atestada pela adesão em massa dos simpatizantes e militantes do partido, que ao pedido de angariação de 80 mil euros para a organização do congresso responderam com a estonteante quantia de 7 mil euros. Se fosse um barómetro para as próximas eleições diria que o bloco está no bom caminho. Catarina Martins deve ter despedido a maioria dos contribuidores e assim percebeu que quando o dinheiro é privado a “malta” agarra-se mais a ele.

Mas nada disto poderia ensombrar a entronização de Mariana, a primeira líder assumidamente homossexual em Portugal, como se isso fosse importante em 2023. Talvez no séc. XIX as pessoas se preocupassem realmente com a orientação sexual dos políticos, mas em 2023…

Seria de esperar que o Bloco aproveitasse a convenção para discutir a sua hecatombe nas urnas e definir um novo rumo estratégico para o partido, abandonar de vez a ideia ridícula de Catarina Martins de colar o partido à social-democracia e abraçar despudoradamente aquilo que verdadeiramente é: um partido radical de esquerda.

Tal como todos os partidos da extrema-esquerda, o Bloco não tem, e ao contrário do que seria de esperar, pensamento crítico por parte dos seus militantes. Estes absorvem tudo o que Francisco Louçã diz e pensa e aclamam o eterno líder (mesmo que na sombra) como se ele fosse um profeta divino.

Felizmente para nós, Francisco Louçã acredita convictamente que o povo é que está errado, as suas ideias continuam a ser as mesmas desde o PSR e o povo não mudou, pois continua a não acreditar nas suas convicções.

Do congresso ressalta também que o Bloco virou a artilharia para outro campo de batalha. Deixou de disparar para o lado do Chega e as suas baterias apontam agora para o PS. Finalmente o Bloco percebeu que é no combate ao PS que vai recuperar eleitorado.

Para voltar a sentir o cheirinho a poder, o Bloco precisa de enfrentar o PS. Depois de ter dado a maioria absoluta ao PS a abanar a bandeira do fascismo, agora é hora de fazer o eleitorado esquecer que esteve na “geringonça” e que não tem qualquer responsabilidade nos Orçamentos de Estado dessa altura.

O que o Bloco não percebe é que não é possível mudar o rumo das coisas sempre com as mesmas caras. Por muito que a liderança mude, a matriz é sempre a mesma e essa matriz é Francisco Louçã.

 

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