A liberdade livre de Joacine

0
1031

A novela de vão de escada a que temos sido obrigados a assistir desde há quatro meses, tal é a profusão noticiosa sobre tão pequena coisa, teve novo episódio na madrugada do passado dia 31 de Janeiro: o partido Livre, em Assembleia extraordinária, retirou a confiança política a Joacine Katar Moreira (J.K.M.). A decisão, tomada por maioria expressiva dos votantes (83%), corta as amarras do cais de águas revoltas chamado Livre ao barquinho chamado Joacine.

Mais do que procurar saber quem tem razão, ou seja, quem, em vários momentos, foi infiel e usou de má-fé, se Joacine ao partido que a elegeu, se o partido à sua deputada (tantos episódios até à exaustão tratados pela comunicação social), importará registar que J.K.M., agora com total independência partidária, poderá apresentar no Parlamento a sua e muito própria agenda fracturante (ver-se-á até que ponto interessará aos Portugueses). Está aberto o período em que Joacine incrementará a polémica contínua que a mantém conhecida dos cidadãos, podendo singrar, ainda que em progressão arrastada, no pântano em que nos vamos deixando atolar.

Ainda é cedo para se perceber quem, de entre os dois, ficará a ganhar. Tudo aponta para que seja Joacine, que não perde a voz, apesar de ficar mais limitada nas suas intervenções e incapacitada de agendamento. O estatuto de deputada protege a sua acção de qualquer interferência ou determinação do partido pelo qual concorreu a assento à mesa do poder legislativo. Sabe-se que não resignará ao cargo deixando ao Livre a possibilidade de a substituir no Hemiciclo, dado o seu imenso ego, ficando como deputada não-inscrita, em conformidade com a comunicação que apresentou ao Presidente da Assembleia da República.