A sardinha em lata do Secretário da Imobilidade

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José Mendes, o Secretário de Estado da Imobilidade, veio afirmar a propósito do Metro de Lisboa, da sua lentidão, da ausência de material circulante e da fraca qualidade manutenção, que tem retirado composições da linha: “Já experimentou fazer uma viagem de Metro em Londres? O tempo que demora, e vai tudo sardinha em lata…”. O senhor parece que não tem o sentido do ridículo. Em Londres central vivem 8 milhões e oitocentas mil pessoas, ou seja, a população portuguesa. Em Lisboa vivem 504 mil pessoas. Todas as medidas estão erradas, vejamos por que razão.

O governo realizou a medida fácil: conseguiu um acordo com empresas de transportes para que o passe combinado baixasse de preço. Conseguiu com isso reduzir a entrada de automóveis na cidade no primeiro mês em que essa medida foi introduzida. No entanto, a medida foi apenas um rebuçado avulso dado aos habitantes das grandes cidades do litoral. Na boa tradição do PS, tradição que vem dos tempos de Mário Soares, reforçada por Guterres, o mais anedótico e indeciso primeiro-ministro, o homem que nunca tomava decisões e que governou em tempo de vacas gordas da União Europeia, as medidas avulsas nunca se fizeram acompanhar de medidas estruturais.

O grande problema de Lisboa é que os transportes públicos são piores do que maus, são péssimos. A degradação é total, as carruagens dos comboios estão vandalizadas, os autocarros sujos e mal-cheirosos, os corredores do Metro cheiram a urina, o material circulante é vetusto. Na linha de Cascais os comboios têm quase cem anos, apenas a casca foi “modernizada” há já largas dezenas de anos. As avarias são constantes. Comboios andam atrasados e são suprimidos. Na linha de Sintra a situação repete-se. Na linha do Oeste tem havido mais supressões do que comboios a circular. Não se investe um tostão na manutenção. Na zona do Porto a situação é também muito negativa. Temos viajado nas linhas suburbanas do Porto e no Metropolitano desta cidade e nota-se o desconforto e as mesmas dificuldades. A linha do Douro, que deveria ser um emblema para o turista, circula com composições velhíssimas, de vidros sujos, muitas vezes vandalizadas. Todas as linhas suburbanas andam sobrelotadas à hora de ponta e a pressão turística não ajuda em nada neste panorama global.

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