Entendam-se, ou perderão ambos

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Para José Ribeiro e Castro, antigo líder centrista, as perspectivas eleitorais para Outubro não são nada animadoras: “Nem o PS terá maioria absoluta, nem a maioria de esquerda será tão grande quanto em 2005, mas será maior do que em 2015”, o que permitirá à esquerda continuar a governar. “É lamentável”, diz em resposta a um questionário d’O DIABO. Mas vê ainda uma hipótese de contenção do desastre: o PSD e o CDS “devem tirar todas as lições das europeias, em lugar de negligenciar” esse “aviso seriíssimo”. E exorta: “As lideranças PSD e CDS devem conversar amiúde entre si e definir um quadro sério, leal e franco de colaboração política. A alternativa não terá a mínima viabilidade se os dois partidos não corrigirem erros e não passarem a mensagem de que não estão de costas voltadas e poderão coligar-se para governar ou ser oposição concertada”. José Ribeiro e Castro fala-nos ainda, com entusiasmo, de um projecto de reforma do sistema eleitoral em que está empenhado, e que propõe a manutenção da proporcionalidade a par da criação de círculos uninominais.

Como encara os maus resultados obtidos pelos partidos da Direita nas europeias?

São, de facto, muito maus. Só não são os piores, porque já tinha havido outros ligeiramente piores nas europeias de 2014. Há cinco anos, os dois partidos coligados, com listas conjuntas, obtiveram 27,7%. Agora, com listas separadas, alcançaram 21,9% (o PSD) e 6,2% (o CDS), ou seja, 28,1% somados. Isto é completamente inverosímil. Sustento há muitos anos, fundado na análise da história eleitoral, que PSD e CDS nunca podem ter menos de 40%, a maré baixa do centro e da direita, o mínimo que recolhem quando perdem eleições. Nos últimos anos, porém, já houve três casos em que os dois partidos caíram para baixo de 40% – em 2004, 2005 e 2015. Isso já é mau, como sinal de crise acentuada e motivo de preocupação acrescida. Agora, o que era completamente improvável era que caíssem para baixo de 30%!… Isso ninguém acreditaria. É péssimo. Aconteceu em 2014 e repetiu-se agora.

O Presidente considerou que “há uma forte possibilidade de haver uma crise na direita portuguesa nos próximos anos”, e defendeu que, num contexto destes, o seu papel “é importante para equilibrar os poderes”. Tem a mesma avaliação sobre esta crise política?

Sim, essa crise existe. É evidente. Aqueles resultados confirmam-no. E as sondagens também. Os partidos à direita do PS não dão mostras de subir para poderem constituir maioria. E há frequentes desinteligências internas, sem dúvida potenciadas por causa disso. Partidos que lideram dificilmente enfrentam choques internos. O próprio aparecimento de partidos novos à direita do PS, quer alcancem, ou não, sucesso, é um sinal de os partidos tradicionais já não serem capazes de assegurar a cobertura do espaço político que anteriormente cobriam. É um sinal de crise, que provoca alguma erosão imediata e, caso se consolidem, poderá agravar a crise à direita, até que todos encontrem um novo ‘modus vivendi’.

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