Bancos, Banqueiros, Bancários e Bancarrotas (1)

0
1199

1. Os maus antecedentes dos Bancos e as primeiras “bancarrotas”
O relevo económico do crédito foi conhecido das mais remotas civilizações. E os seus perigos também. Já terá havido estabelecimentos de tipo bancário em Babilónia. E é sabido que, na antiga Grécia, escravos libertos administraram casas bancárias. Também Diógenes, director de um Banco, na Ásia Menor, foi exilado, sob a acusação de ter posto em circulação moeda falsa. E em Roma se expandiram os “argentarii” e os “negotiatorii”, que consta terem sido antigos escravos, os quais, conluiados com os publicanos, também mal-afamados, entre outras operações de crédito, adiantavam as cobranças dos impostos.

Mas, no decurso da Idade Média, e na Europa cristã, pelo menos até aos séculos XI-XII, as operações de crédito foram quase exclusivamente reservadas aos judeus, aos quais era permitido, pelas suas leis, estipular juros, nos tratos com cristãos. Contudo, algumas Ordens monástico-militares, ou, pelo menos, a dos Templários, e alguns mosteiros, terão concedido empréstimos, sobretudo a agricultores, mas sem estipulação de juros. 

E, nalgumas regiões, sobretudo no Norte de Itália, os “banchieri” realizavam operações de câmbio de moedas, utilizando, em plena via pública, como escaparates, os seus “bancos”, os quais lhes eram quebrados, em sinal de aviltamento, quando tais cambistas faltavam aos seus compromissos. Daí a expressão bancarrota, de “banca rotta”, ter passado a significar a falência de um banqueiro. 

No século XIII já apareceu, em Siena, um Banco propriamente dito, a receber, com regularidade, depósitos, e a conceder empréstimos. Outro se constituiu, com semelhantes características, no século XIV, em Florença. Ambos esses Bancos faliram, em condições espectaculares, o que muito terá contribuído para a má reputação dos banqueiros.

• Leia este artigo na íntegra na edição em papel desta semana já nas bancas