Promessas e bazófias

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Com as eleições legislativas no horizonte, os ministros das áreas económicas resolveram avançar com verdadeiros ‘raids’ de propaganda pelo País. Pedro Siza Vieira, ministro da Economia, que normalmente até é muito discreto, andou a anunciar investimentos. Já Mário Centeno apostou numa campanha baseada na “excelência” dos números macroeconómicos.

Com eleições legislativas cada vez mais próximas, a 6 de Outubro, o Governo de António Costa dá tudo por tudo por uma maioria absoluta. E perde totalmente a vergonha.

Quando Pedro Marques era Ministro do Planeamento e das Infraestruturas, actuava como um verdadeiro ministro da Propaganda, anunciando várias vezes os mesmos investimentos, como aconteceu com o emblemático caso do aeroporto do Montijo (ainda sem ter luz verde do Ambiente para análise do estudo de impacto) e com o polémico plano da ferrovia. O seu sucessor, Pedro Nuno Santos, embora em estilo ligeiramente mais sóbrio, vai pelo mesmo caminho e já embandeirou em arco com um investimento de 45 milhões para reabilitar a circulação ferroviária. Resta saber quando…

Mas os últimos dias revelaram outros membros do Governo com queda para Ministros da Propaganda. O ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, afirmou em Mirandela que Portugal apresenta actualmente “os maiores níveis de sempre” de investimento estrangeiro, com intenções de dois mil milhões de euros em negociação. “As pessoas [investidores] continuam a vir, continuam a procurar-nos”, declarou, à margem de uma visita de dois dias a Trás-os-Montes. 

Pudera, penso que é normal que a raposa não poupe as galinhas; e sendo o Partido Socialista o grande beneficiário da corrupção, qual a novidade em não fazer nada para a combater?

Muitos pensaram que com o PCP e o Bloco de Esquerda a bordo através da geringonça, passaria a existir mais combate à corrupção. 

Pessoalmente nunca pensei isso e até escrevi neste jornal que a geringonça era um truque para a sobrevivência política de António Costa e que, mais tarde ou mais cedo, o Primeiro-Ministro atiraria pela borda fora os dois incómodos passageiros. Meu dito meu feito, o Jornal ‘Público’, do mesmo dia, também escreve: “Costa não mostra amor à ‘geringonça’ em tempos de guerra das legislativas”.

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