Boris em ceroulas

0
754

Imagine-se a cena. À porta do Nº 10 de Downing Street, com o sorumbático polícia de plantão a fingir que não ouve, os microfones da imprensa esticam-se para captar os estranhos sons que chegam do interior da casa do primeiro-ministro: são guinchos excruciantes no gabinete governamental, pratos estatelados no chão da sala dos banquetes, baques de pancadas e correrias desgrenhadas ecoando pelas cem divisões do vetusto lar de Whitehall, onde desde há trezentos anos se decide boa parte dos destinos do mundo.

Este quadro bizarro, de um Boris Johnson em ceroulas correndo atrás (ou à frente) de uma primeira-dama em robe de chambre, destruindo a baixela protocolar e chamando-se mutuamente nomes que só se costumam ouvir em filmes da série B, pode não ser tão inverosímil como parece. É, pelo menos, este o quadro que Jeremy Hunt está a apresentar ao eleitorado conservador britânico como provável se o seu rival na disputa pela liderança do Partido, o turbulento Boris Johnson, ganhar as eleições de Julho e for indigitado primeiro-ministro por Sua Majestade.

Até quinta-feira da semana passada, Boris era o favorito indiscutível na corrida à liderança Tory. Um após outro, todos os concorrentes foram ficando pelo caminho, em eleições sucessivas no grupo parlamentar conservador na Casa dos Comuns – até restarem na disputa os dois finalistas: Boris Johnson, antigo Mayor de Londres e ex-ministro dos Negócios Estrangeiros no Executivo de Theresa May, e Jeremy Hunt, seu sucessor no cargo governamental.

A distância entre ambos, na generalidade das sondagens, era abissal: com uma vantagem considerável de quase 10% das intenções de voto, Boris podia praticamente cantar vitória na eleição do próximo dia 22 de Julho, após uma série de debates nas próximas semanas em que o apagado Hunt seria, certamente, varrido do mapa. Até que…

• Leia este artigo na íntegra na edição em papel desta semana já nas bancas