Costa e Rio dão facada na Geringonça

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Depois de meses a discutir junto dos parceiros da geringonça a Lei de Bases da Saúde, o PS decidiu, nesta recta final da legislatura, virar-se para o PSD de Rui Rio, cujas ânsias de “diálogo” à esquerda estão a incomodar as fileiras ‘laranja’. Acima de tudo, António Costa quis evitar uma guerra com o Presidente da República que abrisse feridas nas relações institucionais entre Belém e S. Bento, já que Marcelo sempre defendeu sistemas de Saúde tripartidos entre o sector público, os privados e também a gestão em modelo de PPP.

Marcelo Rebelo de Sousa recusa liminarmente a diabolização das PPP que a esquerda da geringonça tem cavalgado nos últimos meses, e fez declarações públicas claras. Para o Presidente da República, qualquer proposta de Lei de Bases da Saúde que não contemple o sector social e também as PPP é “irrealista”. O Presidente sustentou que os privados são uma “válvula de escape” importante para o funcionamento do Sistema Nacional de Saúde e que esta posição “não é ideológica”, mas antes sustentada na “sensatez” e no pragmatismo.

O Presidente da República recusou dizer se pondera um veto a uma Lei de Bases da Saúde que afaste as PPP do sistema, mas de Belém os ecos que chegaram foram claros, e vão mesmo nesse caminho. Daí o recuo do PS de António Costa. Este risco muito real de um veto à Lei de Bases da Saúde mais negociada com a esquerda chegou a ser encarado como um ‘trunfo’ por parte de António Costa, que ganhou um importante argumento para recusar as propostas dos seus parceiros de geringonça.

Costa travou ainda uma tentativa de guinada à esquerda protagonizada pela sua Ministra da Saúde, Marta Temido, que defendia uma forte limitação do papel dos privados. A ministra foi obrigada a suavizar as suas ideias depois do puxão de orelhas do Primeiro-Ministro.

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