Brexit: ameaças e oportunidades para as empresas portuguesas

Depois de vários anos de avanços e recuos, inicia-se amanhã, 1 de Fevereiro, o processo de saída do Reino Unido da União Europeia. Até ao final do corrente ano vigorará ainda um período de transição, durante o qual empresas e particulares deverão adaptar-se ao novo quadro legal. A AICEP dá conselhos aos empresários e os consulados ajudam os portugueses que residem no Reino Unido.

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É inevitável que os impactos do Brexit venham a afectar cidadãos e empresas um pouco por toda a Europa. Com a saída do Reino Unido da UE, os cidadãos estrangeiros que até agora lá viviam ao abrigo dos acordos comunitários são obrigados a pedir autorizações de residência permanente, um processo que no caso dos portugueses está a ser feito com o auxílio dos nossos consulados. Também os britânicos a viverem noutros países da EU (e Portugal tem muitos) terão de passar por uma boa dose de burocracias para continuarem a residir no nosso país. 

Felizmente para todos, as grandes alterações só entrarão em vigor em Janeiro de 2021. Até lá, um período de transição vai permitir que se acomodem alguns dos problemas. Durante o corrente ano, em termos comunitários, o Brexit implicará apenas o afastamento dos representantes do Reino Unido (como comissário, delegados técnicos e eurodeputados) das decisões europeias. Só em 2021 e 2022 é que os efeitos da saída se vão sentir em pleno. Será a prova de fogo.

Diversificação
nas empresas

A Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) considera que empresas portuguesas “estão claramente a par dos riscos” inerentes ao Brexit e devem ter “uma estratégia de diversificação preparada” para procurarem novos mercados.

Luís Castro Henriques, presidente da AICEP, disse à agência Lusa que a agência desenvolveu “um conjunto de actividades muito grande de divulgação durante todo este período pelo país fora, com associações e diversos sectores económicos”. Por isso, acrescentou, “creio que as empresas estão claramente a par dos riscos que estão em cima da mesa”.

Castro Henriques apontou três aspectos a que as empresas devem estar especialmente atentas no âmbito do Brexit. “O primeiro aspecto fundamental é qual vai ser o enquadramento tarifário futuro”, ou seja, dentro de dois anos, quando o processo acabar, como se espera, a circulação de bens deixará de ser livre. Nesse sentido, cada gestor deve querer saber qual o impacto que o processo acarretará “para a minha empresa em concreto”.

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