Reviravoltas a direita

O Congresso do CDS marcou o fim do ‘portismo’. Depois da emoção de um Congresso electivo, sabe-se apenas que o jovem líder do “novo CDS”, Francisco Rodrigues dos Santos, excluiu todos os senadores das listas que elaborou para os órgãos directivos, numa tentativa de apagamento do legado de Paulo Portas. Tudo o mais é incógnita.

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Neste momento, ninguém sabe qual o CDS que o novo líder vai construir, mas desde já existe a certeza de que nada será como dantes. Paulo Portas permaneceu em silêncio e parece afastado do partido onde foi um líder carismático e forte durante vinte anos. Pelo contrário, Pedro Passos Coelho, que se mantinha em silêncio desde que abandonou a liderança partidária, apareceu numa altura algo inesperada (ver peça secundária) e numa sessão de tomada de posse da concelhia de Ponte da Barca deixou um recado claro: PSD e CDS devem unir-se tendo em conta as reformas que são necessárias ao país.

O novo líder do CDS veio declarar de imediato o seu apoio à visão de Passos Coelho. “CDS e PSD devem erguer pontes em vez de erguer muros”, disse ao ‘Expresso’ o novo líder, que afirma confiar na conjugação de esforços dos dois partidos na construção de um “projecto reformista que liberte o país do socialismo”. Frisou, ainda, que o PSD sempre foi “o parceiro de diálogo com o CDS nos momentos importantes da vida do país”.

Nas últimas Directas do PSD saiu derrotado o candidato que reconhecidamente era identificado com Passos Coelho. Mas Luís Montenegro e a sua equipa acabavam por ser pouco mais do que uma cópia do ex-Primeiro-Ministro e anterior líder do PSD. Na verdade, Passos é Passos, e é inimitável. E há muitos que querem que ele volte. Uma boa parte do PSD está incondicionalmente ao seu lado, e o Facebook é bem o espelho desse desejo.

Melo admite saturação

Quadro da equipa de Paulo Portas e vice-presidente de Assunção Cristas, o eurodeputado Nuno Melo assumiu que estará fora de qualquer cargo directivo. Mas deixou um caderno de encargos ao novo líder: o eurodeputado admitiu que o 28º Congresso do CDS marca “um novo ciclo”, mas disse esperar que o novo líder centrista, Francisco Rodrigues dos Santos dê “continuidade” a esse legado.

O ex-vice-presidente de Assunção Cristas afirmou ter sido evidente, no Congresso e nas votações, que “os militantes decidiram e quiseram alterar a liderança”, e disse esperar que o novo líder tenha “capacidade de unir”. Questionado sobre se o partido estaria saturado dos dirigentes associados ao ‘portismo’, Melo afirmou: “Manifestamente que sim. De resto, o Congresso mostrou isso durante os trabalhos e mostrou principalmente votando”.

Nuno Melo disse acreditar que Francisco Rodrigues dos Santos “vai perceber que muito do melhor do partido está em quem perdeu este último Congresso”, dado que o CDS “não se resume a 2019”, quando os centristas tiveram duas derrotas, na europeias e nas legislativas. O antigo vice-presidente na liderança de Portas e Assunção fez mais um elogio ao “consulado do portismo”, que se traduziu “numa das mais extraordinárias fases da vida do CDS”, porque foi com ele que “o partido se reergueu” de uma série de maus resultados eleitorais.

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