O golpe falhado de 31 de Janeiro de 1891

No dia 31 de Janeiro de 1891 (passam hoje 129 anos) os republicanos saíram à rua, pela primeira vez, dispostos a derrubar a Monarquia Portuguesa. O golpe falhou, mas abriu caminho à campanha contra o regime, que haveria de desembocar no homicídio do Rei D. Carlos e do Príncipe Herdeiro, em 1908, e por fim na instauração violenta da república.

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Pode hoje afirmar-se que o desentendimento colonial com o Reino Unido, que vinha de antes das Conferências de Berlim e se agudizara ao longo de 1888 e 1889, foi a causa próxima da desautorização da diplomacia do Rei Dom Carlos na imprensa portuguesa, sempre tão ávida de ‘coups à sensation’. Esta desautorização deu fôlego à propaganda republicana e desencadeou uma catadupa de tempestades que redundariam, vinte anos mais tarde, na instauração da república. 

Em 1890 iniciou-se, com um atrevimento nunca visto antes, um novo ciclo da conspiração republicana, tendo como pretexto próximo o ‘Ultimatum’ inglês de 11 de Janeiro desse ano. Uma página de jornal não poderia comportar uma análise deste ‘Ultimatum’, por sintética que fosse. Refira-se apenas que ocorreu escassas duas semanas depois da aclamação de
D. Carlos I como Rei, que se verificara em 28 de Dezembro de 1889. Limitemo-nos à enumeração dos factos posteriores:

Em finais de Março de 1890, três meses após o ‘Ultimatum’, três candidatos republicanos às eleições legislativas conseguem ser eleitos pelo círculo de Lisboa: Elias Garcia, Manuel de Arriaga e Latino Coelho. Esta surpreendente vitória republicana lançou as hostes do reviralho num verdadeiro delírio triunfalista, tanto em Lisboa como no Porto, únicos centros urbanos onde a doutrina republicana tinha alguns seguidores. 

No Sul, as celebrações e comícios prolongaram-se por semanas, até 1 de Maio, que foi então comemorado pela primeira vez em Portugal como Dia do Trabalhador. No Norte, a Liga Patriótica, patrocinada por Antero de Quental, “instala nos círculos radicais a convicção de que o derrube da Monarquia é possível. Um ânimo de grande exaltação e optimismo apodera-se a partir de então das hostes anti-monárquicas”.

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