Centro-direita unido (uma vez sem exemplo…)

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A moção de censura ao Governo foi derrotada pela maioria de esquerda, como se esperava. Mas teve duas vantagens: juntou o CDS e o PSD numa acção comum e frontal contra a ‘geringonça’ (caso raro nos dias que correm) e permitiu dar visibilidade aos argumentos do centro-direita contra a governação socialista.

Ao apresentarem uma moção de censura ao Governo de António Costa, que foi votada e derrotada esta semana no Parlamento, os centristas não esperavam obter mais do que a oportunidade de se pronunciarem contra o descalabro da ‘geringonça’: uma oportunidade solene, com os seus argumentos a passarem nas televisões e a serem registados no Diário das Sessões.

Esperar que a moção passasse seria pura inconsciência, sabendo-se que os votos da esquerda e da extrema-esquerda têm a maioria em S. Bento. Mas as vantagens da iniciativa, ao contrário do que à partida poderia parecer a quem lhe chamou “tiro de pólvora seca”, ultrapassaram a simples votação: não é todos os dias que o PSD e o CDS convergem numa iniciativa política comum.

Embora considerando a moção do CDS um gesto “simbólico” sem “efeito prático”, Rui Rio surpreendeu tudo e todos ao autorizar o seu Grupo Parlamentar a anunciar que aproveitaria a votação de quarta-feira para “repetir as críticas que tem vindo a fazer ao Governo” e que, “consequentemente”, votaria “a favor de uma censura à política socialista que tem vindo a ser seguida”. E assim de facto aconteceu, numa inesperada correcção da política de aproximação ao PS que tem sido a pedra de toque do mandato de Rio no PSD.

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