Marta Brito

O líder socialista não se cansa de prometer ao novo presidente social-democrata abertura ao diálogo e disposição para encontrar consensos – sempre com ‘bicadas’ indirectas a Pedro Passos Coelho, que o derrotou nas urnas.

António Costa começou a namorar Rui Rio mal este venceu a liderança do PSD. Tradicionalmente, o secretário-geral do PS costuma “cercar” os seus adversários políticos, que acabam muitas vezes por ser engolidos em mandatos seguintes. A nível da autarquia de Lisboa foi isso que António Costa fez com o bloquista José Sá Fernandes e depois com Helena Roseta. Claro que na relação quer com os partidos da geringonça, quer com os da oposição de direita, as coisas são mais complexas. Mas Costa não desiste da manobra de sedução.

Logo na noite da vitória o primeiro-ministro felicitou Rui Rio pela sua eleição, e disse esperar que “tenha com o Governo uma relação firme, exigente e construtiva ao serviço do País”.

Mas a mensagem que o secretário-geral do PS verdadeiramente queria deixar era outra, e passava por voltar a atacar Pedro Passos Coelho, que venceu as últimas legislativas e foi afastado do Executivo pela originalidade da constituição da geringonça. Apesar de o PSD ter sido o partido mais votado, foi o PS que constituiu Governo através do apoio da esquerda radical do PCP e do Bloco.

Se constitucionalmente a solução da geringonça não pode ser posta em causa, a legitimidade política da mesma sempre foi questionável.

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