Eva Cabral

Depois do violento puxão de orelhas de Marcelo Rebelo de Sousa à forma pouco humana como António Costa estava a tratar a questão dos incêndios, o Primeiro-Ministro sentiu-se na necessidade de dizer que a meta do défice é “a última” das preocupações do Governo, sempre que em causa estiver o apoio às populações atingidas.

“Essa tem que ser a última das nossas preocupações neste momento”, disse António Costa, quando questionado sobre a possibilidade de os apoios aos territórios atingidos pelos incêndios poderem afectar a meta do défice. Segundo o primeiro-ministro, é necessário “manter uma trajectória de consolidação orçamental”, sem que o Governo fique fixado nisso.

Costa mostra assim uma abertura para se deixar resvalar o 1% de meta do défice público em 2018 que Mário Centeno apresentou no Orçamento do Estado para 2018. “Não podemos ter uma obsessão, quando a prioridade que temos neste momento é obviamente reconstruir o País, é apoiar as famílias, é apoiar a reconstrução das habitações, é apoiar a reconstrução do tecido económico” – sublinhou, considerando que sem a reactivação da actividade económica na região afectada pelos incêndios “aquilo que está desertificado mais desertificado fica”.

Nesse sentido, “a reactivação da actividade económica é absolutamente central”, sublinhou António Costa, que falava aos jornalistas após uma reunião de trabalho à porta fechada, na Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), em Coimbra, onde foi apresentado um levantamento provisórios dos prejuízos das empresas afectadas pelos incêndios de 15 de Outubro.

Para além de estar a reagir às fortes declarações do PR, António Costa viu uma tendência descendente do PS nas sondagens, e desdobra-se agora em acções de proximidade depois de ter dedicado um longo Conselho de Ministros Extraordinário à questão dos incêndios.

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