Direita moderada à frente da Europa

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É uma solução de compromisso: os conservadores moderados e os liberais ocuparão a presidência da Comissão Europeia (o “governo” executivo da União) e do Conselho Europeu (o órgão que reúne Presidentes e primeiros-ministros e define a política geral comunitária), enquanto o Banco Central Europeu será entregue à direcção de uma conservadora-liberal. Só o cargo de Alto Representante da UE para a Política Externa ficará, como prémio de consolação, nas mãos de um socialista. Este foi o resultado das longas negociações para a distribuição dos lugares de topo na União Europeia, que esta semana terminaram em Bruxelas. Falta agora a aprovação final no Parlamento Europeu de Estrasburgo.

A esquerda chegou a sonhar com uma solução de “geringonça à portuguesa”, mas teve de contentar-se com uma administração europeia que reflecte, com mais “verdade democrática”, os resultados da eleição para o Parlamento Europeu de 26 de Maio passado.

Para muitos, foi uma surpresa – por dar poder dominante ao conservadorismo moderado, que em alguns aspectos chega a confundir-se com o federalismo “suave” de uma certa esquerda europeia. Mas para quem vem acompanhando o sussurro dos corredores, em Bruxelas, trata-se de uma solução que acaba por servir, aparentemente, todas as partes: os conservadores tradicionalistas sentem-se algo frustrados, mas aceitam a proposta do Conselho Europeu como um mal menor; os conservadores moderados e os liberais sentem-se em casa; e a esquerda conseguiu iludir a pressão dos países cuja política nacionalista mais vem ameaçando a deriva federalista europeia.

As negociações vinham-se arrastando desde há meses, mas era forçoso que chegassem a bom porto esta semana. Entre Domingo e terça-feira, os encontros, almoços e telefonemas multiplicaram-se, mas ao final do dia 2 o Conselho Europeu, que reúne os chefes de Estado ou de Governo e define as orientações e prioridades políticas gerais da União Europeia, tinha alcançado uma proposta final. Os líderes indicaram a conservadora alemã Ursula von der Leyen para a presidência da Comissão Europeia, o primeiro-ministro belga em funções, o liberal Charles Michel, para a presidência do Conselho Europeu, e a conservadora-liberal francesa Christine Lagarde para o Banco Central Europeu. Para que a esquerda não acusasse o Conselho de má-vontade, foi ainda indicado o ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros, o socialista Josep Borrell, para o cargo de Alto Representante da UE para a Política Externa.

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