É a cultura, estúpido!

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A Direita anda perdida no labirinto há mais de meio século. As ondas de choque do pós-guerra, que chegaram a Portugal nos anos 60, abriram brechas no velho edifício político e romperam a aparente quietude do tecido social. Vários factores precipitaram o colapso do antigo regime: a televisão e o consumo vicioso; o êxodo para as grandes cidades litorais; a decomposição demográfica; o triunfo da quantidade e a degenerescência da escola. Isto coincidiu, como toda a gente sabe, com o ocaso de Salazar.

Desde então, a Direita tem andado a correr atrás das modas que a esquerda lhe impõe, dos tiques que fez consagrar como obrigatórios para se ser “bem visto”. Assunção Cristas foi um caso flagrante de deslumbramento com a comunidade política, beijinhos ao Fefé para cá, consensos com a esquerda para lá. Tudo para “ficar bem no retrato”. Já o caso de Rui Rio é diferente: trata-se de um homem obstinado que meteu na cabeça que só aproximando o PSD do centro e do centro-esquerda conseguirá bons resultados eleitorais. Veremos quem tem razão, se ele ou os seus rivais internos.

O que nem o PSD nem o CDS parecem ver é que não é com políticas mais assim ou mais assado que a Direita volta a levantar cabeça. Porque as políticas são a longa consequência de um ambiente cultural, e não o contrário. Porque só com influência na sociedade (e não no Parlamento) regressará um dia ao poder para aplicar (então, sim) as suas políticas.

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