É tudo fachada.

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O líder do PS quer dar a entender que não vai poder participar empenhadamente na campanha eleitoral por ser Primeiro-Ministro e ter de continuar a governar – uma tese desmentida pelas agendas diárias que António Costa cumpre, em que os aparecimentos na pele de candidato se confundem perante o eleitorado menos esclarecido com as iniciativas que decorrem de ser chefe do Governo. Esta falsa demarcação é para António Costa uma hipótese de criar nalguns eleitores a ilusão de que as eleições estão decididas, e que após o 6 de Outubro vai continuar a governar sem sobressaltos.

Atese de que António Costa seria um candidato em ‘part-time’ foi defendida em Espinho no último fim-de-semana, numa altura em que todos os partidos reforçaram as campanhas. O secretário-geral do PS assumiu não estar a 100% na campanha eleitoral às eleições legislativas de Outubro por ter de continuar a governar o país, garantindo, contudo, que o partido está “todo na rua”.

Numa arruada em Espinho, o socialista ia explicando que, contrariamente às eleições legislativas de 2015, em que era secretário-geral a “tempo inteiro”, assume hoje funções governativas e, por isso, tem de compatibilizar com essas, sobrando-lhe menos tempo. Dado ter de continuar a governar o país, Costa confessou que os “momentos mais intensos” da campanha serão feitos aos fins-de-semana. “Não sou só eu candidato, a nossa lista tem muitos candidatos e todos andam na rua, aliás o PS está todo na rua”, garantia. Para provar isso mesmo, o secretário-geral mostrou um grupo de diálogo no `Whatsapp´ onde diariamente são colocadas as iniciativas de campanha feitas pelo PS.

Numa arruada que durou cerca de duas horas, António Costa ia ouvindo pedidos de maioria absoluta, mas de forma cautelosa ia sempre respondendo “vamos ver”. Ao longo do percurso foi aproveitando para apelar ao “voto por convicção” e não ao “voto táctico”, dizendo que quem quer no Governo o PS deve votar PS, e a quem não quer não lhe faltam opções. À medida que ia ouvindo queixas de uns e outros sobre os mais diversos aspectos, António Costa, também primeiro-ministro, assumiu que ainda há muito a fazer no Serviço Nacional de Saúde, na ferrovia e nas condições de vida, mas mostrou-se “pronto” para o desafio.

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