Parte 8: Saúde, pensamento e organização

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Portugal nunca foi um País onde existisse um pensamento estratégico e organização para levar essa estratégia à prática, nomeadamente no Estado. Foram excepção os reinados de D. João II e de D. José, este por virtude do ministro Sebastião José de Carvalho e Melo, Marquês de Pombal. Durante estes dois períodos existiu em Portugal não apenas governação com objectivos claros, mas também um mínimo de pensamento e de organização para levar à prática, com consequência, as ideias estratégicas do poder político. 

No nosso tempo, com o crescimento dos recursos do conhecimento e das tecnologias disponíveis, é normal em quase todos os países uma forte organização dos Estados para levar à prática as decisões dos governos, por entre as contradições inerentes à actividade política democrática. Não em Portugal: o nosso País continua mergulhado no anátema de ser um povo que não se governa, nem se deixa governar. O sector da saúde é o melhor exemplo, com o Primeiro-Ministro a argumentar que investiu mais na saúde do que o governo anterior e os médicos, a Ordem dos Médicos, os enfermeiros e os doentes a afirmarem que com piores resultados.

O PS veste-se diariamente com a farda de ter sido o partido que criou o Serviço Nacional de Saúde (SNS), o que nem sequer é verdade. Mas a situação, hoje, é assim descrita pelo presidente do Colégio de Oncologia da Ordem dos Médicos, Luís Costa: “Quem tem gente conhecida, orienta-se. Quem não tem, fica à mercê”. 

Em quem devo acreditar, no Primeiro-Ministro ou na Ordem dos Médicos? Posso desempatar lendo a decisão do Infarmed de recusar medicamentos caros a doentes com cancro “que não estejam em risco imediato de vida”. Ou seja, quando toda a gente sabe que a possibilidade de sobrevivência depende de atacar a doença tão cedo quanto possível, o Infarmed recomenda o uso dos novos medicamentos para quem estiver a morrer. 

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