Sondagens há muitas, seus palermas

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Pedia-se um olho mais critico aos jornalistas portugueses, que a partir de umas sondagens já deram a vitória a Costa em Outubro. Está provado que, em política, os “estudos de opinião” são cada vez menos fiáveis – mas entre nós continuam a ser interpretados como um facto consumado.

As eleições legislativas de 2019 já terminaram, pelo menos segundo os jornalistas portugueses. Nesta “realidade alternativa”, Costa venceu em toda a linha, o PSD foi humilhado, a esquerda obteve uma enorme maioria de dois terços. 

Quase que nem vale a pena ir votar, visto que quem é ‘bem-pensante’ já determinou o resultado.

Mas seria de pensar que os jornalistas e comentadores portugueses tivessem ganho juízo em 2015, quando também previram uma vitória para o PS de António Costa. 

Segundo os arquivos históricos, a 2 de Setembro de 2015 o Partido Socialista ainda recolhia a maior intenção de voto nas sondagens, com 36 por cento. A Intercampus, no dia 20 de Setembro, ainda dava a vitória ao partido de António Costa com 37 por cento. A Eurosondagem (empresa cujo director, antigo elemento do Conselho Nacional do PS, afirmou há pouco que o PSD não venceria em nenhum distrito) ainda dava a Costa a vitória com 37 por cento dos votos no dia 23 de Setembro.

No fim, claro, todos conhecemos o desfecho: o Partido Socialista sofreu uma derrota humilhante e Costa, para não ser defenestrado pelos seus camaradas ansiosos de poleiro e de ‘jobs’, teve inventar à pressa uma geringonça que lhe salvasse a pele, ainda que isso implicasse um arranjo contra-natura que trai a história do PS. Portugal é hoje governado pelo partido que ficou em segundo lugar nas eleições.

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