Economia anémica desmente propaganda

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Uma Bolsa de Valores quase sem valor, uma iniciativa privada fraca e sem dimensão para enfrentar a concorrência, empresas com poucos funcionários e baixos rendimentos – eis o retrato verdadeiro do tecido económico nacional. Agora que a União Europeia se prepara para disponibilizar vastos milhares de milhões de euros a empresas “campeãs”, o contraste de Portugal face ao resto do mundo desenvolvido torna-se chocante. Sobretudo porque grandes potências da economia nacional, como a antiga CUF e a Portugal Telecom, foram completamente escangalhadas pela agenda ideológica de uma esquerda pouco interessada na vida real e indiferente ao atraso do País. 

Com eleições legislativas à porta, a esquerda inicia a sua campanha eleitoral, e a economia é um dos pontos sensíveis do momento propagandístico. O líder socialista, António Costa, já deu o seu tiro de partida com a campanha mistificadora do “cumprimos”. 

Infelizmente, e como este jornal tem repetidamente denunciado, a situação económica não é tão alegre como os obreiros da geringonça a querem vender, especialmente numa época em que a guerra comercial entre Estados Unidos e China está a aquecer.

É, aliás, em resposta a essa guerra comercial que, segundo fontes bem informadas da União Europeia citadas pelo jornal ‘Financial Times’, está a ser preparado um enorme fundo, com 100 mil milhões de euros anuais, para reforçar um conjunto de empresas, que se convencionou considerar “campeãs europeias”, para enfrentarem a hegemonia dos ‘gigantes’ empresariais norte-americanos e chineses.

O plano, não inteiramente distante de programas de fomento e proteccionismo usados noutras épocas históricas, surge de a União Europeia ter percebido que em muitas áreas, como ‘software’, fabrico de computadores e produtos electrónicos, biotecnologias e afins, estamos completamente à mercê dos grandes grupos americanos e chineses. Basta que estes decretem um boicote na venda dos seus produtos, e a Europa fica de rastos. 

Mesmo que a versão final dos fundos a disponibilizar para combater a hegemonia dos ‘gigantes’ não siga fielmente o plano citado, é certo que a União Europeia está determinada a intervir directamente na economia, e não só com programas de incentivos de bondade duvidosa, alguns dos quais levaram à destruição de uma parte do nosso aparelho produtivo nacional.

Pensar-se-ia que esta é uma boa notícia para Portugal onde, apesar de muito dinheiro gasto em carros ‘topo de gama’, o investimento público e privado teima em permanecer baixo. Infelizmente, face aos objectivos da União Europeia, é quase certo que Portugal não vai receber um tostão, por culpa da esquerda portuguesa.

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