Ex-querido ditador…

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Para a esquerda, Robert Mugabe sempre foi um “libertador” e um “modelo de líder africano”.
Só recentemente, quando o delírio do tirano se tornou um embaraço, é que os intelectuais “bem pensantes” do Ocidente se fingiram surpreendidos com o reino de terror deste racista negro que gostava de se comparar a Hitler.

Faleceu no passado dia 6, num hospital de Singapura onde estava internado em estado terminal, o antigo presidente do Zimbabué, Robert Mugabe. Raros foram os políticos, jornalistas, analistas ou diplomatas que choraram a sua morte ou que ousaram elogiá-lo. Ao fechar os olhos, Mugabe era um ditador caído em desgraça – e nem a esquerda mais radical se atreveu a esboçar uma palavra em seu favor. Mas nem sempre foi assim.

Robert Gabriel Mugabe nasceu em Fevereiro de 1924 na Missão católica de Kutama, na Rodésia do Sul, no seio da etnia Shona. Apesar de muito pobre, Mugabe estudou o suficiente para se tornar professor do ensino básico particular, profissão que exerceu durante vários anos em missões católicas rodesianas. Com uma bolsa de estudo da Igreja, conseguiu o grau de bacharel em História e Literatura Inglesa na Universidade de Fort Hare, na África do Sul, e fez-se professor do ensino secundário. Datam deste período os seus primeiros contactos com grupos radicais marxistas rodesianos e a sua inscrição no African National Congress (ANC).

O percurso político de Mugabe não difere substancialmente do de outros activistas africanos do seu tempo. Foi doutrinado no Ghana “independente” de Kwame Nkrumah, fez-se dirigente do extremista National ‘Democratic’ Party da Rodésia do Sul (NDP), tornou-se político profissional e criou o seu próprio movimento, o famigerado Zimbabwe African People›s Union (ZAPU), mais tarde transformado em Zimbabwe African National Union (ZANU). Em 1962, Mugabe era um dos mais inflamados activistas rodesianos, advogando a violência contra os brancos como “táctica necessária na luta contra o colonialismo”. “O conflito racial é inevitável”, dizia então. E a esquerda exaltava-o no seu “progressismo”.

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