Esquerda varrida em Madrid

0
1337

Isabel Díaz Ayuso, a chefe do Governo da Comunidade Autónoma de Madrid que esta semana se recandidatou, venceu a eleição de terça-feira com larguíssima maioria, pulverizando os socialistas e a extrema-esquerda.

A lista do Partido Popular encabeçada por Isabel duplicou a votação desde a última eleição em Madrid, em 2019, passando de 30 deputados para 65 no parlamento comunitário da região. Os social-democratas-ecologistas do movimento Más Madrid (MM) obtiveram o segundo lugar, com 24 deputados. Com o mesmo número de assentos, mas menor número de votos, ficaram os socialistas do PSOE. O Vox (direita) subiu de 12 para 13 assentos, o Podemos (extrema-esquerda) ficou-se pelos 10 e o Ciudadanos (liberal) perdeu os anteriores 26 deputados, ficando sem representação parlamentar. 

Com quase 45% dos votos na eleição para a Assembleia da Comunidade de Madrid, Isabel Díaz Ayuso é agora a personalidade mais destacada do PP a nível nacional, e o seu discurso de vitória reflectiu a intenção de alargar o resultado em Madrid a todo o país: “Hoje começa um novo capítulo na história de Espanha, porque vamos recuperar a convivência, a liberdade e a harmonia de que precisamos”, disse Ayuso, discursando ao lado de um feliz mas apagado Pablo Casado, líder do PP. “A liberdade voltou a triunfar em Madrid”.

Os 65 deputados, embora assegurando uma posição confortável no parlamento, não garantem a governabilidade, pelo que Ayuso terá de contar com o apoio (já garantido) do Vox para obter uma maioria. Assim, a reconfiguração política na região de Madrid está traçada com relativa simplicidade: conservadores (PP) e direita nacionalista (Vox) no poder, social-ecologistas (MM) a liderar a oposição, socialistas reduzidos à insignificância prática e extrema-esquerda acantonada num grupo parlamentar residual. Do mapa desapareceram por completo os liberais do Ciudadanos.

Para a esquerda, os resultados são desastrosos. O PSOE do primeiro-ministro Pedro Sánchez terá agora de rever toda a sua estratégia, enquanto o esquerdista Podemos se prepara para regressar à política de terra queimada que sempre caracterizou a sua actuação. 

Uma primeira baixa: o líder deste pequeno partido da esquerda radical, Pablo Iglesias, que tinha deixado o cargo de vice-primeiro-ministro no Governo nacional para disputar esta eleição na região de Madrid, assumiu a derrota com mau humor. “Os resultados, o sucesso eleitoral da direita trumpista representada por Ayuso e da extrema-direita são uma tragédia”, disse Iglesias. “Deixo todos os meus cargos, deixo a política”.

Caso típico de esquerdista deslumbrado pelos confortos burgueses, Pablo Iglesias Turrión causou escândalo, mesmo entre os seus camaradas, ao alterar o seu estilo de vida logo que chegou ao Governo pela mão do PSOE, numa “geringonça” à espanhola. Ele e sua mulher, Irene María Montero Gil, igualmente dirigente do Podemos e também membro do Governo com a pasta da Igualdade, passaram a viver numa mansão de luxo e a deslocar-se em viaturas de gama alta. Mas sempre com o proletariado na boca… ■