Gestores hospitalares arrasam política anti-Covid de Costa

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O presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH), Alexandre Lourenço, afirmou esta semana que a resposta à pandemia em Portugal foi “francamente má” e que terá de ser repensado o modelo de organização do Sistema de Saúde.

“Basta comparar com outros países”, observou Alexandre Lourenço. “A nossa taxa de mortalidade por Covid-19 foi muito mais elevada e evidentemente que isto nos vai ter que fazer pensar e repensar todo o modelo de organização do Sistema de Saúde”, acrescentou o responsável da APAH em declarações à agência Lusa a propósito do aparecimento do primeiro caso de Covid-19 em Portugal, em 2 de Março do ano passado.

Na sua opinião aprenderam-se «muitas coisas» com a pandemia, mas muitas delas com «resultados negativos» como a mortalidade excessiva que, defendeu, deve ser estudada e identificada para que se possam desenvolver medidas e «respostas capazes». «Não basta dizer genericamente que são as ondas de calor ou as ondas de frio», alertou, numa crítica directa a declarações vagas por vezes feitas por altos responsáveis governamentais.

«Evidentemente que isto nos vai ter de fazer pensar e repensar todo o modelo de organização do Sistema de Saúde», sublinhou Alexandre Lourenço, apontando a existência de «uma debilidade muito grande» nos vários órgãos de gestão. E deu como exemplo a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), afirmando que é «organismo mais importante» do Ministério da Saúde, mas que está «sem ‘quorum’, sem capacidade deliberativa desde Outubro do ano passado».

Alexandre Lourenço também apontou críticas à coordenação de meios a nível regional e nacional, considerando que «o grande problema é de organização e de ter as estruturas de coordenação destes meios». «Tem sido dito por várias partes desde o início que é necessário planear e coordenar e isso ficou muito aquém do necessário para este desafio que certamente era o maior para o Serviço Nacional de Saúde de sempre», salientou.

Na sua opinião, «perdeu-se muito tempo» a debater se se activavam os meios dos sectores social e privado. «Perdemos meses em questões menores quando a questão maior era atender às necessidades de resposta à pandemia e especialmente da resposta a doentes não covid-19», disse.

Sobre a resposta a doentes Covid-19, afirmou que «grande parte da situação» vivida no último mês podia ter sido evitada, percebendo-se quais eram os meios que estavam à disposição e quais é que seriam as linhas vermelhas após as infecções. «Evidentemente que a resposta nacional dependeria sempre da capacidade que nós tivéssemos para internar doentes» e essa capacidade era limitada.

Saúde, a principal preocupação

Praticamente todos (98%) os portugueses inquiridos numa consulta da Comissão Europeia consideram pessoalmente importante uma “Europa social”, com 69% a darem destaque prioritário ao “acesso a cuidados de saúde de qualidade” (contra 41% da média europeia).

Quando questionados sobre os elementos que consideram mais importantes para o desenvolvimento económico e social da Europa – podendo escolher, por ordem, quatro temáticas entre 11 possíveis –, os europeus colocam em primeiro lugar “igualdade de oportunidades e o acesso ao mercado de trabalho” (46%), seguido de “condições de trabalho justas” (45%).

Em Portugal, no entanto, o elemento mais importante destacado pelos inquiridos é o “acesso a cuidados de saúde de qualidade”, com 69% a apontá-lo como prioritário, contra 41% da média europeia. ■