Maduro expulsa embaixadora da UE

Na Venezuela, largos milhares de portugueses continuam nas mãos do ditador Nicolás Maduro, que ainda esta semana expulsou a Embaixadora da UE, a portuguesa Isabel Brilhante Pedrosa.

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O ditador chavista não devia ser Presidente da Venezuela pois só com uma chapelada impediu o democrata Juan Guaidó de o render na presidência. Mas Maduro está grudado ao poder enquanto a fome e a falta de condições cresce entre a população, entre a qual se encontram muitos portugueses e luso-descendentes.

Já em Março de 2019 o autoproclamado Presidente da Venezuela, Juan Gaidó, desencadeou um acto de força contra o regime de Nicolás Maduro, em que envolveu militares e para o qual apelou à adesão popular. Um dos primeiros actos foi libertar presos políticos, como Leopoldo López, que foi condenado a 14 anos de prisão.

Guaidó assegurou que Leopoldo Lopez foi posto em liberdade por funcionários do Serviço Bolivariano de Inteligência, que cumpriram a sua ordem de Presidente interino, após lhe ter oferecido “amnistia e garantia de indultos”.

Mas o autoproclamado presidente foi perdendo força, apesar de ter recolhido apoios internacionais.

Em Dezembro de 2020 o chavismo recuperou a Assembleia Nacional da Venezuela, em eleições marcadas pelo boicote aos principais partidos e líderes da oposição e por uma abstenção massiva.

Com uma participação de apenas 31 por cento, mais de 40 pontos percentuais abaixo das eleições parlamentares de 2015 vencidas pela oposição, a coligação no governo teve mais de 3,5 milhões dos 5,2 milhões de votos, com um total de 67,6 por cento de apoio entre os que compareceram às urnas, segundo dados do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) do país.

Desde 2015, a Assembleia era o único poder controlado pela oposição, que decidiu não participar do pleito, como já havia feito nas eleições presidenciais de 2018, por considerar que não existem condições justas para a disputa eleitoral.

O líder da oposição, Juan Guaidó, falou em “fraude” e sugeriu que o comparecimento às urnas foi ainda menor do que o dado oficial.

“A ditadura é evidente. Depois da chantagem, do sequestro de partidos, da censura, da fabricação de resultados, do terror, anunciam o que foi dito: uma fraude com 30 por cento de pura falsidade, que não é suficiente nem para se mostrar ao público (nem mesmo eles comemoram, eles sabem que estão sozinhos)”,

Expulsão
de diplomata

Com poderes reforçados, Nicolás Maduro continua a ser persona non grata em muitos países europeus como Portugal, e na União Europeia como um todo.

Neste clima de tensão a embaixadora da União Europeia na Venezuela, Isabel Brilhante Pedrosa, saiu do país chavista na terça-feira.

O regime comunista de Maduro decidiu expulsar a embaixadora, em retaliação a uma série de sanções decretadas pela União Europeia contra 19 funcionários do Governo venezuelano.

À diplomata portuguesa foram dadas, inicialmente, 72 horas para deixar a Venezuela. Uma fonte diplomática europeia, citada pela agência noticiosa francesa AFP, disse que o atraso da saída de Isabel Brilhante Pedrosa da Venezuela se deve a razões puramente logísticas, relacionadas com a disponibilidade de voos.

Recorde-se que no ano passado, a embaixadora de nacionalidade portuguesa recebeu igualmente ordem de expulsão, que acabou por ser revertida.

Ao contrário da primeira ordem de expulsão contra a diplomata, declarada no final de Junho de 2020 por Nicolás Maduro, desta vez foi o ministro das Relações Exteriores venezuelano, Jorge Arreaza, quem comunicou a Isabel Brilhante Pedrosa que teria 72 horas para abandonar a Venezuela.

A decisão já era esperada, uma vez que na terça-feira o parlamento instou o executivo de Maduro a expulsar a embaixadora em resposta às últimas sanções do bloco comunitário.

Recorde-se que a União Europeia aprovou novas sanções contra a Venezuela, acrescentando 19 pessoas à sua lista por não reconhecer as eleições de 6 de Dezembro, que considera que não cumpriram os padrões democráticos necessários.

Em resposta à ordem de expulsão de Isabel Brilhante Pedrosa, Bruxelas declarou a chefe da missão da Venezuela junto da União Europeia, Claudia Salerno, “persona non grata”.

A decisão não implica, porém, a sua expulsão do território comunitário, uma vez que Claudia Salerno também é embaixadora da Venezuela na Bélgica e no Luxemburgo. ■