Governo usa “bazuca” e “investimento público” como arma de propaganda

O Governo do PS anda a engodar o País com a “cenoura” do investimento público para captar votos e garantir a cumplicidade da esquerda na aprovação do Orçamento. A factura – essa será o povo a pagar, como sempre…

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Com António Costa de férias, foi o secretário-geral adjunto do PS, José Luís Carneiro, a acenar com a cenoura do investimento público. Carneiro tem andado um pouco por todo o país a afirmar que o Orçamento do Estado (OE) para 2022 vai ter “mais investimento público” e disse ter confiança de que vai ser aprovado na Assembleia da República.

No país já se fala sobre a aprovação do OE, basta ouvir os líderes dos principais partidos para sabermos que se fala sobre a discussão do OE, mas que fique bem clara a nossa prioridade. A nossa prioridade, neste momento, é garantirmos, em todo o país, que temos autarcas capazes de compreender a visão estratégica de desenvolvimento”, afirmou José Luís Carneiro em Mesão Frio.

O secretário-geral adjunto do PS vai “vendendo” como alavanca da economia portuguesa nos próximos anos as verbas da bazuca europeia, mas evita dizer que pouco chegará às empresas ficando antes a sustentar a máquina do Estado. Recorde-se que desde que António Costa tomou posse os funcionários públicos não pararam de crescer. É um encargo enorme que obriga a mais impostos para se pagar ao funcionalismo e mais uma medida eleitoralista do PS.

Linhas de força do OE

Segundo o dirigente socialista, “para aqueles que estão mais preocupados com as linhas de força do Orçamento é muito importante dizer-lhes que o OE vai ter mais investimento público”.

E exemplificou, “precisamente nas áreas de protecção social, no Serviço Nacional de Saúde (SNS), nos transportes e na mobilidade, nas políticas de habitação, para garantir a protecção dos trabalhadores e a dignidade das condições laborais e para garantir, também, a dinamização e a capacidade” das empresas “resistirem e serem capazes de criar emprego”.

“É por esta razão que temos confiança de que vamos vencer as eleições autárquicas e que, também, veremos no futuro o OE ser aprovado por parte dos partidos na Assembleia da República”, afirmou.

Recorde-se que numa entrevista ao semanário “Expresso”, o primeiro-ministro, António Costa, falou sobre o OE para 2022 e admitiu rever os escalões de IRS, de forma a subir o rendimento da classe média, e disse que pretende um aumento “significativo” do abono de família.

Em reacção, o PCP disse que as declarações do primeiro-ministro não satisfazem “quer no domínio do OE 2022, quer em outros domínios, como os dos salários, direitos e legislação laboral”. E o PCP é quem pode assegurar a aprovação do OE, pois o BE já se retirou dessa equação.

O Bloco de Esquerda afirmou que nunca fechou as portas a discutir “as medidas fundamentais para o país”, mas não confirma se está a negociar com o executivo uma revisão dos escalões do IRS.

Mas a propaganda do PS continua. José Luís Carneiro salientou que nestes “momentos cruciais” que se vivem, foi “com especial alegria” que leu a entrevista de António Costa e a garantia de “que o povo português pode contar” com o primeiro-ministro “porque a sua vontade é servir o país”.

“Fazemos parte de uma mesma unidade política, económica, social e quanto mais fortes estivermos, mais os valores e os nossos ideais poderão frutificar nestes territórios”, frisou o também antigo autarca de Baião.

Exigência sem austeridade

Muito menos expansivo que Mário Centeno, o sucessor como ministro de Estado e das Finanças, João Leão, assegurou contudo no Parlamento que “Portugal não voltará à austeridade”, mas advertiu que o próximo Orçamento do Estado “não será mais fácil ou menos exigente que os anteriores”.

“Portugal não voltará à austeridade. Estamos comprometidos com a estabilidade fiscal e com o regresso à trajectória de recuperação de rendimentos e do emprego”.

O ministro afirmou que o próximo Orçamento do Estado (OE 2022) “não será mais fácil ou menos exigente que os anteriores”, apesar da suspensão das regras orçamentais de Bruxelas em 2022 permitir “um estímulo de natureza extraordinária e passar de medidas de emergência para medidas de apoio ao forte relançamento da economia”.

Porém, o governante com a pasta das Finanças alertou que é necessário “manter o foco na recuperação económica e no investimento, com o apoio do Programa de Recuperação e Resiliência (PRR)”, para “enfrentar as principais cicatrizes deixadas pela crise, especialmente nas áreas da economia, saúde e educação”.

“Este caminho não é incompatível com responsabilidade na gestão das finanças públicas, como aliás já provámos no passado. A ameaça de nos desviarmos desta trajectória de equilíbrio e responsabilidade não virá de uma estratégia orçamental coerente, anticíclica, centrada em medidas de recuperação e crescimento, sem perder de vista a sustentabilidade a médio prazo”, referiu.

“A ameaça à estabilidade das finanças públicas poderá sim resultar de uma percepção errada de que não temos de fazer escolhas e que podemos, sucessivamente, tomar medidas avulso, de forma descoordenada e desenquadrada de uma estratégia orçamental”, advertiu o ministro.

Anteriormente, e de olhos postos no próximo OE – que chegará ao Parlamento a 11 de Outubro – João Leão já tinha saudado os partidos que viabilizaram o
OE 2021, no caso o PS, PCP, PAN e PEV, bem como as deputadas não inscritas Cristina Rodrigues e Joacine Katar Moreira.

“Houve, nesta assembleia, quem tivesse o sentido de responsabilidade de viabilizar o Orçamento do Estado quando o país e os portugueses mais dele precisavam”, disse João Leão.

O ministro disse ainda valorizar as medidas que “têm a marca dos diferentes partidos e das deputadas não inscritas, lembrando que ainda estamos a meio do exercício orçamental”.

“Continuamos comprometidos e empenhados na plena concretização deste orçamento até ao último dia do ano. A meio do ano já concretizámos mais de metade das medidas previstas no orçamento”, vincou o ministro.

João Leão elencou a execução de várias medidas aprovadas no OE 2021 juntamente com os outros partidos, como o pagamento do “lay-off” a 100%, o pagamento extraordinário por seis meses do subsídio de desemprego, o aumento de pensões, o apoio extraordinário ao rendimento dos trabalhadores.

O ministro referiu ainda a aprovação do subsídio de risco para os profissionais na linha da frente no combate à pandemia Covid-19, a contratação de mais de 2.000 profissionais para o Serviço Nacional de Saúde, ou a superação dos 150 milhões de euros no investimento em centros de saúde.

PCP diz que fingem que fazem

O secretário-geral do PCP acusa o Governo de “entravar” um “conjunto significativo de medidas do Orçamento do Estado para este ano e de fingir que faz, mas não faz em quase tudo o que não podia empatar”.

“O que se alcançou com a determinação do PCP contrasta com os atrasos e as limitações que o Governo tem colocado para entravar a concretização de um conjunto significativo de outras medidas inscritas no Orçamento do Estado” para este ano, disse Jerónimo de Sousa, em Beja.

Ou seja, acrescentou, “o que era automático e o Governo não podia empatar entrou em vigor”.

“Em quase tudo o resto é o que se vê: atrasos, desculpas, fingir que faz, mas não faz”, precisou o líder do PCP, que falava num encontro de candidatos e activistas da CDU (PCP/PEV) no distrito de Beja, no âmbito das eleições autárquicas de 26 de setembro.

Segundo Jerónimo de Sousa, devido ao sufrágio, “não faltarão nas próximas semanas o agitar de novas promessas, o acenar dos milhares de milhões, a tentativa do PS de condicionar e chantagear os eleitores com esses investimentos”.

E frisa: “Se há dinheiro, e há, então que se o coloque ao serviço dos problemas dos trabalhadores e do povo, e que se o integre numa estratégia que assegure o desenvolvimento soberano do país”.

O PCP vai vender muito caro o voltar a ser muleta do Governo no OE 2022. ■