Justiça para os espoliados da descolonização

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Já passaram mais de quatro décadas desde que centenas de milhar de portugueses foram obrigados a deixar as Províncias Ultramarinas e iniciar uma nova vida, a partir do nada, na então Metrópole. Quase todos perderam os seus bens nos territórios de África, entretanto mergulhados na violência e na anarquia, sem que até ao momento tenham sido indemnizados. O CDS quer agora levar o Estado Português a assumir as suas responsabilidades.

O CDS-PP acaba de entregar no Parlamento um Projecto de Resolução para que o Estado assuma as suas responsabilidades no processo dos espoliados do Ultramar – uma iniciativa legislativa que pode, 44 anos depois, fazer finalmente justiça a uma parte dos portugueses que foram vítimas de uma descolonização apressada e caótica.

A iniciativa legislativa pode ser facilitada pelo facto de existirem já, devidamente registados e digitalizados, mais de 60 mil processos de portugueses espoliados que requereram compensações. Os centristas referem ainda a experiência de outros Estados europeus que passaram também por processos de descolonização e indemnizaram os europeus prejudicados.

O CDS desde sempre tem insistido em que não se deve deixar cair no esquecimento a situação de milhares de portugueses que tiveram de fugir para a Metrópole sem nada, depois de uma vida inteira de trabalho. Muitos tinham nascido em África e não conheciam outra terra. Muitos, ainda, chegaram a Lisboa com a roupa que tinham no corpo no momento do embarque.

Com a actual maioria de esquerda no poder, é quase impossível que um diploma deste tipo tenha bom acolhimento no Parlamento ou no Governo.

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