Ladrões de vacinas

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Continuamos a analisar esta semana as causas de um fenómeno ‘sui generis’ na Europa: nomeados políticos portugueses, relativamente jovens ou de meia idade, que querem passar à frente de idosos em perigo de vida ou lhes roubam as vacinas Covid-19. Uma desordem e selvajaria ética, reveladora do egoísmo desmesurado de gente nomeada para tudo, mas sem propensão para serviço público em nada. Claro que há problemas a montante no fornecimento de vacinas a nível europeu, mas falamos neste artigo principalmente do que podemos controlar, que é o que se passa a jusante em território Português.

Tamanha incompetência e egoísmo de tantos nomeados políticos não são vistos em mais alguma parte do mundo. Os resultados são mais uma vez catastróficos: chegamos às quase 30 mortes por milhão de habitantes diariamente, ocupando o pior lugar mundial da taxa ‘per capita’ de mortes diárias. Estamos a descer um pouco no número de novos casos, onde já ocupamos também o pior lugar mundial, mas estamos ainda no quarto lugar pior do mundo.  Em vez de os nomeados políticos se focarem em resolver números tão dramáticos e embaraçosos mundialmente, ao ponto de já haver nova ajuda e intervenção internacional, há lentidão caótica na vacinação, incluindo o ‘salve-se quem puder’, perante inúmeras vidas desnecessariamente perdidas e uma economia cada vez mais arruinada do que já estava antes da pandemia. Aliás, já vimos um cenário igualmente aterrador, pelos mesmos e por exemplo, nos fogos de 2017, onde tivemos 100 mortos e a maior área florestal ardida de toda a Europa combinada.  

Uma parte significativa dos actuais nomeados políticos foi “selecionada” precisamente com base na falta de ética, logo não é de espantar que tenham uma propensão para tentar roubar ou desviar tudo o que seja público, das vacinas aos fundos europeus, passando pelos contratos dos helicópteros Kamovs ou SIRESP na proteção civil. Além disso, não são escrutinados pela população porque, por exemplo, não há primárias ou eleições unipessoais dos deputados ou dos nomeados para as entidades públicas locais. 

A ausência de ética, qualificações ou resultados em tudo o que mexem, incluindo saúde, de muitos dos nomeados por este governo explica-se porque não foram selecionados com base no mérito ou no seu sentido cívico de serviço ao próximo a troco de nada que não a satisfação de ajudarem Portugal. 

Muitos, a partir do início do século XXI, ascenderam socialmente em cargos de nomeação política através de submissão acrítica a líderes do PS como Sócrates e Costa, ou da JS como Pedro Nuno Santos, combinada com golpes sujos partidários, incluindo “chapeladas” em votações internas ou manobras antidemocráticas no interior do partido. Por exemplo, impedindo listas alternativas de quem saiba pensar, seja qualificado tecnicamente e queira debater soluções, alternativas e ideologia a sério.

Desapareceu assim, largamente, o sentido de missão que era o que acontecia no princípio da nossa democracia, quando muitos militantes de partidos não eram renumerados em cargos de nomeação política a nível local como agora são. Por isso tais cargos eram ocupados voluntariamente por cidadãos de grande calibre ético que tinham profissão e independência económica pessoal fora da política, logo queriam mesmo servir Portugal e os seus concidadãos em vez de a si próprios na política. Ora, desde Sócrates, a razão principal de muitos virem para a política é completamente a oposta desses antigos e louváveis militantes. Agora, a maioria vem para a política já a pensar em fazer dinheiro que não obteria em mais lugar nenhum, dadas as suas poucas capacidades e competências técnicas. 

Assim não é surpreendente que em Portugal, por exemplo, em vez de uma campanha de vacinação conduzida eficiente e rapidamente, que poderia salvar dezenas de milhares de vidas de idosos e estancar a hemorragia na economia, haja um frenesi titânico destes dependentes da política: “Primeiro nós, a chegar ao bote de salvação; e os idosos que continuem a morrer aos quase 300 por dia”.  

Relevantemente, para perceber a campanha de vacinação e demais má gestão da pandemia, tais dependentes políticos incompetentes têm destruído o Serviço Nacional de Saúde e a saúde pública lusitana em geral, tornando-se administradores de tudo o que é financiado pelo Estado/autarquias, desde o Ministério da Saúde (Ministra, Secretarias de Estado, Assessorias, Administrações Regionais de Saúde, Hospitais Públicos) ao mais modesto lar de idosos na mais recôndita aldeia, passando pela Segurança Social. 

Os dependentes da política no activo, apesar de estarem abaixo da casa dos 70 anos, logo a sua taxa de fatalidade nos casos de Covid-19 rondar apenas 1% ou bastante menos (à medida que se desce na faixa etária) querem ser vacinados primeiros que idosos acima dos 70 ou 80 anos de idade, onde tal taxa salta exponencialmente para os 10%. Isto a todo o custo e usando todo o tipo de estratagemas legais sancionados pelo parlamento, mas sem nenhuma ética, ou simplesmente criminosos e irresponsáveis. “Estão-se a marimbar” para salvarem vidas, suavizando um pouco a conhecida expressão de um dos chefes mais queridos deles, Ferro Rodrigues.  

Mesmo perante uma pandemia tão grave e números que justificavam já no final da primavera e início do verão a inclusão de Portugal nas listas negras da quarentena de toda a Europa, mantiveram-se os mesmos responsáveis de topo na saúde e foi-se buscar o mesmo tipo de gente dependente da política sem capacidades técnicas de topo mundial para a gestão da saúde. Continuaram-se a nomear boys partidários, sem quaisquer qualificações em saúde ou gestão, simples caciques locais donos de bolsas de votos internos do partido, para as administrações dos hospitais onde se deveriam salvar as vidas das pessoas.   

Até para coordenador do plano nacional de vacinação, iniciado muito tardiamente e mal, se foi buscar um produto típico, do qual já nos vimos livres, das várias gerações de políticos sem qualificação académica de topo e adequada nas áreas para que são nomeados, que viveram toda a vida da política, sendo repetidamente nomeados para cargos políticos de responsabilidade onde nunca apresentaram grandes resultados.  Não foi surpresa quando essa personagem se demitiu porque estava mais interessada em picardias políticas e percebia mais de ofender eleitores de outros partidos do que em salvar vidas de todos os portugueses, independentemente de ideologias, trabalhando rápida e eficientemente numa vacinação ordeira, eficaz e célere. 

Se não sairmos deste vicio de contratar incompetentes partidários o mais rapidamente possível, há já uma fornada de deputados, vinda da JS e da submissão acrítica a Pedro Nuno Santos, na casa dos 20 e 30 anos de desavergonhados ansiosos para perpetuar a pouca vergonha de querem passar à frente de todos os portugueses em tudo. Até querem passar à frente na fila de vacinação de idosos de 90 anos diabéticos, achando-se ridiculamente no direito de receberem privilégios para tudo ao ponto de acharem que a vida deles é mais valiosa que a dos outros. Isto apenas para trabalharem para nós como nossos empregados na Assembleia da República que é para isso que já lhes pagamos acima da média nacional, apesar de ninguém ter eleito tais deputados em ciclos unipessoais nem os resultados deles serem bons, uma vez que o país está em último lugar da Europa em vários índices de saúde e economia. Um exemplo que seria divertido se não fosse tão trágico de assistir, foi o deputado do Porto de 32 anos que defendeu ser um sinal de “respeito” da “República” por si própria (e si próprio, claro) ele ou os amigos lá no parlamento querer ser vacinado primeiro que praticamente todos os idosos portugueses com mais de 70, 80 ou 90 anos.  Batemos no fundo dos fundos. Temos de subir ao cimo do mundo. ■