Maria Costa

Depois de dois anos de uma cooperação institucional tão estreita que levou parte do PSD a zangar-se com um Presidente que é da sua área política, os incêndios deste ano acabaram com o estado de graça prolongado de Costa, e fizeram Marcelo Rebelo de Sousa proferir o mais duro discurso do seu mandato. Em suma: as relações de Marcelo com Costa também arderam, e o novo ciclo que o Presidente da República previa para o pós-eleições autárquicas não demorou a chegar.

O Executivo socialista ainda tentou uma acção de ‘spin’ e “plantou” no jornal ‘Público’ da passada quinta-feira a ideia de que a demissão da MAI e o pacote de medidas de apoio à floresta – que foram alvo de um Conselho de Ministros Extraordinários – estavam consensualizados com Marcelo. Se fosse verdade, o PR teria criticado o Governo e António Costa de forma injustificada.

Só que o Presidente falou ao País precisamente no dia a seguir a uma comunicação do próprio António Costa que o País e Marcelo consideraram de uma frieza chocante perante a tragédia.

Recorde-se que, na intervenção que marcou a viragem na relação entre os dois, Marcelo disse a Costa que estaria atento e “exerceria todos os poderes” presidenciais, exigindo ao Governo um “novo ciclo”. E que o Governo teria de “ponderar o quê, quem, como e quando serve este ciclo”. Além disso, exigia que o Governo retirasse “todas, mas mesmo todas, as consequências da tragédia de Pedrógão Grande”.

Estamos em plena vida nova nas relações entre o PM e o PR, o que altera o quadro político global. Daqui para a frente, nada ficará como estava antes.

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