Marcelo no centro de todas as decisões

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O Presidente da República volta a chamar a si a centralidade da política portuguesa. Marcelo Rebelo de Sousa quer um novo Governo o mais cedo possível e decidiu acelerar o processo de indigitação de António Costa como Primeiro-Ministro, ouvindo os partidos parlamentares menos de 40 horas depois de encerradas as urnas de voto. O PR adiantou-se ainda às dificuldades que o líder do PS poderia vir a encontrar nas negociações com a extrema-esquerda e apressou-se a tranquilizá-lo, adiantando que não exigiria um documento escrito a garantir a estabilidade política. A partir de agora, Marcelo será credor e co-autor moral das soluções governativas que Costa encontrar e árbitro absoluto do sistema.

Logo na terça feira de manhã, quando ainda não tinham passado 40 horas sobre o fecho das urnas de voto nas legislativas em território nacional, começavam a chegar ao Palácio de Belém os representantes dos dez partidos políticos que no escrutínio de Domingo elegeram deputados. Iam a audiência com o Presidente da República, que os convocara em tom de urgência.

A composição final do novo Parlamento só ficará completa quando forem conhecidos os dados da votação para os dois círculos da emigração (Europa e Fora da Europa, num total de cerca de 900 mil eleitores que elegem quatro deputados), o que inflamou as redes sociais com dúvidas sobre se o PR não deveria ter esperado um pouco mais. Afinal, como o próprio Marcelo reconheceu nesse dia, “terá de ser publicado o conjunto de resultados eleitorais em ‘Diário da República’, reunir a Assembleia da República e só depois é que haverá a nomeação e posse do Governo”. Com toda a probabilidade, a nova Assembleia só virá a reunir na semana parlamentar de 21 a 25 de Outubro.

Mas Rebelo de Sousa estava cheio de pressa. Formalmente, não devia indigitar Costa sem antes ouvir os dez partidos com representação parlamentar – e foi isso que tratou de fazer logo no dia 8. Mas já a 7, menos de um dia após as eleições, o PR tinha anunciado que ia dar gás ao processo. O pretexto, que ninguém compreendeu muito bem, foi “a realização de um Conselho Europeu muito importante para discutir o Brexit antes do dia 31 de Outubro”. Um argumento tão pouco convincente que nenhum politólogo se deu ao trabalho de corroborar a urgência presidencial.

“Conviria que o Primeiro-Ministro indigitado ouvisse os partidos numa composição já deste Parlamento acabado de eleger, sobre os temas europeus, antes da tomada de posição no Conselho Europeu”, considerou Marcelo.

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