Vivemos numa democracia de faz de conta

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“Existem 40% de portugueses que não votam, porque não se sentem representados, e 4,28% dos votos expressos são votos
de descontentamento activo. Qualquer
um dos pequenos partidos, agora chegados a S. Bento, que conseguir receber os votos do descontentamento ganhará o poder
e, aí, tudo poderá acontecer”

Portugal tem cerca de dez milhões e duzentos mil habitantes. Nas últimas eleições surgiram dez milhões e oitocentos mil eleitores registados (cerca de nove milhões e duzentos mil habitantes de Portugal e os restantes, automaticamente registados no estrangeiro, eram cerca de um milhão e meio).

Nota-se imediatamente uma enorme discrepância: o milhão e oitocentos mil portugueses residentes no estrangeiro são representados apenas por quatro deputados, ainda não contabilizados. Apenas na próxima semana os conheceremos. Os nove milhões e trezentos mil residentes em Portugal são representados por 226 deputados! São quase quatrocentos mil eleitores por deputado para os emigrantes e cerca de quarenta e um mil eleitores por deputado para os residentes em Portugal.

Vejamos agora os eleitores residentes em Portugal. Existem, de facto, cerca dois milhões e cinquenta mil jovens com menos de 18 anos, o que dará como eleitores efectivos em Portugal o número de oito milhões cento e cinquenta mil. Existem, pois, nos cadernos eleitorais um milhão cento e cinquenta mil mortos ou pessoas que emigraram e não o comunicaram às autoridades portuguesas. Este número é, necessariamente, muito menor do que o dos mortos, uma vez que por razões fiscais não é sensato não informar as autoridades em caso de emigração. Seria sensato ter uma forma de eliminar esses falecidos de forma automática dos cadernos eleitorais.

• Leia este artigo na íntegra na edição em papel desta semana já nas bancas