Maria d’Aljubarrota: A vitória de um rufia

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Deixo aos meus ilustres colegas cronistas deste jornal a análise do que se passou no dia 6 e do que irá passar-se a seguir. Das eleições retenho apenas o essencial para definir quem as ganhou: o episódio de um primeiro-ministro que só não agrediu um idoso porque foi impedido desse acto de “coragem” pelos ‘seguranças’ que o rodeavam. Isto, para mim, é mais importante do que mil discursos ou programas, mais eloquente do que quaisquer resultados eleitorais. Diz quem é a pessoa António Santos da Costa, o que tem (e o que não tem) dentro de si, o que podemos esperar de tal criatura.

Muito se tem argumentado sobre “o velho plantado pela direita para provocar”. É absolutamente irrelevante se o homem era de direita ou de esquerda, se foi provocar António Costa ou não foi. O que interessa é a reacção ignóbil do chefe socialista, que aliás já dispensou um ministro por ter usado uma expressão metafórica, por sinal corrente na cultura literária, envolvendo “bengaladas”. Essas eram bengaladas simbólicas; estas, que aquele rufia em bicos de pés se propunha aplicar ao idoso, eram bem reais, próprias da ‘cultura das barracas’ que ele representa.

Pode ter ganho as eleições, pode voltar a ganhá-las mil vezes: para muitos, será indiferente o estofo moral de quem nos governa. Para mim, será sempre o cobardolas que se virou a um idoso. Não é esta a ideia que eu tenho de um Homem a sério. ■

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