Parte 10: Uma questão de carácter

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Os socialistas não gostam nada que se fale do carácter dos seus dirigentes. Como se o carácter de um dirigente político mentiroso, videirinho, ou mesmo corrupto, não fosse politicamente relevante. Compreende-se a posição do PS, dada a quantidade de socialistas, nomeadamente dirigentes conhecidos, que mentem com toda a naturalidade, que fazem promessas que não cumprem e que defendem os interesses pessoais e da família sobre os interesses colectivos da Nação. Não admira, portanto.

Os quatro anos da legislatura são um somatório de faltas de carácter. Tudo começou com a traição de António Costa a António José Seguro; seguiu-se a escolha por António Costa de quase todos os dirigentes do PS que acompanharam José Sócrates na ‘débâcle’ da economia portuguesa e no pedido de ajuda internacional; seguiu-se a escolha da sobrevivência política depois da perda das eleições de 2015; foi visível na manipulação  dos fogos de 2017 e na reconstrução das casas ardidas; passou pela narrativa de que os muitos casos de corrupção envolvendo políticos do PS, escolhidos pelo primeiro-ministro, são apenas da responsabilidade da Justiça e não implicam responsabilidades políticas. Depois tivemos o caso de Tancos, que não esgota outros casos igualmente importantes, mas que é bem revelador do carácter dos intervenientes, que mandaram às urtigas a decência pessoal e política e revelaram a mais mesquinha ausência de seriedade, incluindo o caso do primeiro-ministro que foge a todas as suas responsabilidades. 

Que carácter pode ter António Costa para ter andado durante dois anos a fazer de conta que o caso de Tancos não existia, ou a suportar no poder o ministro nas suas grotescas histórias sobre o que se passava, incluindo a possibilidade de não ter havido roubo? Que, tendo ao seu serviço um colaborador militar, que oficialmente não o terá informado das tristes peripécias do caso, que carácter terá o primeiro-ministro em não o ter demitido? Que carácter poderá ter António Costa para continuar a defender um ex-ministro da Defesa que lhe terá guardado segredo sobre uma das maiores poucas vergonhas da governação socialista? Qual a razão de defender e apoiar um ex-ministro acusado pela Justiça com provas evidentes e que durante dois anos foi o protagonista das histórias mais jocosas da democracia portuguesa? Ou, não contente, um primeiro-ministro que publicamente afirma que o processo vai dar em nada na Justiça, talvez sabendo o que pode ser feito para obter esse resultado? Porque terá tentado envolver o Presidente da República? Porque será que o caso Marquês está em perigo pela acção e omissão do juíz Ivo Rosa, escolhido pelo computador à terceira tentativa?

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