Escândalo de Tancos marca legislativas

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O chamado “caso de Tancos” marcou toda a recta final da campanha eleitoral das legislativas, com forte influência nas sondagens sobre a intenção de voto dos portugueses. Rui Rio, Assunção Cristas e António Costa trocaram graves acusações, que não serão facilmente esquecidas. A extrema-esquerda, receosa de vir a perder a influência sobre o poder executivo, tentou não se comprometer, evitando ao máximo falar da questão. Mas, para o bem ou para o mal, Tancos vai continuar a marcar a agenda política nacional.

Os actuais líderes do PSD e do PS eram conhecidos por terem uma boa relação pessoal, do tempo em que foram autarcas de Lisboa e Porto. Mas a divulgação de que o ex-ministro da Defesa Azeredo Lopes trocara mensagens de telemóvel com um deputado do PS a assumir ter conhecimento do ‹achamento› das armas roubadas, levantando suspeição sobre quem sabia afinal o que se passara, fez estalar por completo o verniz.

Segundo o Ministério Público, o deputado socialista Tiago Barbosa Ribeiro terá recebido no seu telefone uma mensagem escrita do ex-ministro da Defesa Nacional, Azeredo Lopes, em que este assumia que sabia a forma como tinham sido recuperadas as armas roubadas na base militar de Tancos.

Questionado pela imprensa, Ribeiro entendeu que “nada a dizer sobre essa matéria”, alegando que se trata de “um processo judicial”. “O que conheço sobre esse processo é aquilo que tem vindo a ser veiculado pela comunicação social. É um processo que não me diz directamente respeito”, declarou. “Compreendo a curiosidade, mas não fui ouvido por nenhuma autoridade, não fui contactado por nenhuma autoridade”, e “como tal nada tenho a acrescentar sobre esta matéria”, reiterou.

A implicação oficial de um ex-ministro e um deputado no conhecimento dos factos suscitou, como seria de esperar, uma vaga de indignação que o PSD e o CDS imediatamente trataram de explorar. À medida que os dias passavam e aumentava o ruído mediático em torno do caso, mais o PSD subia nas sondagens, deixando o PS (que até aí contava com uma vitória a roçar a maioria absoluta) à beira de um ataque de nervos.

23 arguidos

O despacho do Ministério Público, agora divulgado, acusou 23 pessoas no processo do furto e recuperação do material de guerra de Tancos, entre as quais o ex-ministro da Defesa, José Azeredo Lopes, suspeito de envolvimento numa operação encenada pela Polícia Judiciária Militar para a “recuperação” do material, mediante um acordo de impunidade aos autores do furto. Azeredo Lopes foi acusado pelo Ministério Público de abuso de poder, denegação de justiça e prevaricação.

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