Maria d’Aljubarrota: “o Fim de festa”

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Há no ar uma sensação de desgaste, de cansaço, de exasperação.

António Costa tornou-se cansativo em extremo. Os seus malabarismos já nem sequer têm o exótico oriental do início: são hoje meras nulidades ditas à pressa, em mau Português. Não se acredita nele. Ninguém de juízo lhe compraria um ramo de rosas, quanto mais um carro em segunda mão. Só os apaniguados o trazem nas palminhas, pois ele é o abono de família para milhares de boys e girls que não sabem fazer outra coisa.

A serigaita do Bloco de Esquerda cansa. Já se adivinha a baboseira que vai dizer, o gestinho que vai fazer, a pose barata que vai pôr. Não sai dali uma única ideia construtiva para o País (podia acontecer, eu acredito em milagres). É só bota-abaixo, prá-frente-e-logo-de-vê. Insensatez. Preconceito e delírio leninista. Tudo servido com astúcia à moda e à dimensão da Rua da Palma. Cansativo.

A rapariga exaltada d’Os Verdes, que Deus Nosso Senhor lhe baixe o tom de voz e a sossegue de alguma maneira, que já não se atura. Aquele ar de regateira aos gritos, aquele dedo estendido a acusar, a ameaçar, a lamuriar, lembra uma discussão doméstica num filme italiano dos anos 70. Cansativo.

Com o rapaz do PAN não percamos tempo: no círculo por que foi eleito, Lisboa, votaram nele menos de 23.000 pessoas (o estádio de Alvalade leva 50.000, o da Luz 66.000).

Jerónimo de Sousa está uma caricatura de si mesmo, lendo obedientemente o seu velho papel, como comunista disciplinado que é. Dir-se-ia que está sempre a ler o mesmo texto, mas não: os camaradas encarregam-se, de vez em quando, de lhe pôr nova ladainha entre os dedos sem ele dar por isso. Só tem piada quando mostra a sua natureza conservadora (como no caso da eutanásia) e baralha as contas às piranhas do Bloco – mas casos desses acontecem uma vez em cada década. Cansativo, também.

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