Maria d’Aljubarrota: Portugal, a sensação de acordar no Terceiro Mundo

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Adormeci com o televisor ligado e acordei de manhã, em sobressalto, com o noticiário das nove. Estava no Terceiro Mundo.

Em vozes engasgadas, aos sacões, parando a cada palavra numa hesitação trôpega (que é como os locutores falam hoje), os noticiaristas do dia des avam penosamente uma campanha eleitoral de loucos.

Um quer “nacionalizar” de novo o ensino privado (agora a nível europeu), outro pretende sovietizar a saúde (agora a nível europeu); um defende leis para “castigar os ricos” (agora a nível europeu), outro insiste em transformar a habitação privada num decreto estatal (agora a nível europeu). Concluo que as eleições europeias, neste país terceiro-mundista em que acordo, são uma adaptação dos “programas” marxistas-leninistas nacionais de há quarenta anos ao espaço europeu comunitário de hoje. Faz sentido: a máquina de Bruxelas está transformada em Comité Central, com a Comissão Europeia a fazer de Politburo. Nunca a palavra “Comissário” foi tão bem aplicada.

Andam à solta todos os demónios dos PRECs da nossa memória. O “colectivismo” que promete a felicidade humana a um estalo de dedos. O esquerdismo que “protege os pobres” e odeia “a direita” porque ela “castiga os que sofrem”. O nivelamento por baixo, o louvor da pobreza, a glori cação da miséria comunal. A mais descarada desonestidade de palavras. A viciação dos conceitos. O ruído de feira.

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