Eva Cabral

Foram 27 dias de intensas negociações – e, no final, o Bloco cobrou um alto preço em troca do apoio de que o actual presidente da Câmara de Lisboa precisava. Depois de dois anos a governar a capital com a comodidade de quem tem uma maioria absoluta, o sucessor de Costa (que nas urnas ficou aquém do que desejava) teve de fazer cedências. Mas confessa-se “feliz” com o acordo com a extrema-esquerda.

“Sinceramente, fico feliz. E tenho pena de que o PCP não faça parte desta solução”, frisou o delfim de António Costa na Câmara de Lisboa, numa referência à ‘geringonça’ nacional. A versão municipal agora encontrada não é, porém, inédita: a primeira união das esquerdas na autarquia foi encontrada por Jorge Sampaio no longínquo ano de 1989, quando a coligação “Por Lisboa” conseguiu então juntar ao PS os partidos de extrema-esquerda para criar uma maioria na capital.

Com o actual negócio, o Bloco de Esquerda (BE) consegue em 2017 fazer valer os seus votos, o seu vereador Ricardo Robles e, o mais importante, a sua agenda.

Recorde-se que o socialista Fernando Medina foi eleito no dia 1 de Outubro presidente da Câmara de Lisboa, com 42,02% dos votos, mas o PS perdeu a maioria absoluta na capital, ficando com menos três vereadores do que em 2013. Os socialistas elegeram assim oito vereadores, menos um do que os necessários para a maioria absoluta. O BE conseguiu um mandato e a CDU (PCP/PEV) manteve os dois que já tinha. Daí a necessidade urgente de negociar uma maioria.

Em traços gerais, o acordo implica que Fernando Medina entregue a Ricardo Robles o pelouro da Educação e Áreas Sociais, conseguindo assim a maioria na autarquia.

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