Mudança à força: Ministro insiste em levar Infarmed para o Porto

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Infarmed

A questão da deslocalização do Infarmed para o Porto volta a estar na ordem do dia, com o Ministro da Saúde a garantir aos deputados que tenciona tomar uma decisão no curto prazo. Um exemplo da falta de respeito dos socialistas e seus apoiantes da geringonça quando em causa está a vida das pessoas. E os quadros com maior especialização técnica podem mesmo procurar outro emprego em Lisboa, deixando depauperado o Instituto.

A ida de Adalberto Campos Fernandes ao Parlamento antes das férias deixou no ar a convicção de que o titular da pasta da Saúde se prepara mesmo para transferir o Instituto do Medicamento para o Porto.

Debaixo da capa de que se trata de ‘descentralizar’ esconde-se uma decisão autocrática do Terreiro do Paço com total falta de respeito pelas vidas pessoais das dezenas de trabalhadores do Infarmed, mesmo quando em inquérito interno mais de 90% dos seus quadros tenham expressado claramente a sua rejeição à mudança. Estimula-se, ainda, uma guerra ‘Lisboa versus Porto’ sem que se perceba a utilidade desta deslocalização.

Refira-se que quem tem casa e famíla numa cidade não pode mudar para outra sem enormes custos pessoais, uma vez que o cônjuge tem o emprego em Lisboa, e provavelmente os filhos aí estudam. Não esquecendo que as casas são, na maioria dos casos, próprias, e a sua eventual venda e compra noutra cidade pode ser um negócio ruinoso. Uma decisão de mudança afecta, obviamente, todo o núcleo familiar do trabalhador do Infarmed, tornando impossível a mudança na maioria dos casos.

O relatório encomendado pelo Executivo opta por ficar totalmente alheado do que é a vida real das pessoas e refere que os riscos “são negligenciáveis” caso sejam aplicadas medidas de compensação, tais como a atribuição de subsídios de fixação, de deslocamento ou de residência. Mas nada disto se afigura credível, pelos que os riscos são mesmo muito elevados.

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