Neste pântano lusitano

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A habitual propaganda e censura favorável ao PS está ao rubro, agora que nos preparamos para eleições legislativas antecipadas. No início desta semana houve uma entrevista televisiva ao primeiro-ministro sem nenhuma pergunta sobre o assunto que mais tragicamente vai afectar os portugueses em 2022: o aumento exponencial do custo da electricidade e dos combustíveis devido aos negócios ruinosos do PS no sector energético, que desmantelaram deliberadamente a nossa produção de energia a preços razoáveis. 

No mesmo registo, logo a seguir ao chumbo do orçamento, houve um conhecido jornal do Porto – mas dependente de fundos vindos de Lisboa – que publicou na capa uma paragona enorme a lamentar-se que o chumbo do orçamento travava o ganho de um milhar de milhão de euros para as famílias. Omitiu, no entanto, o facto que tal orçamento conduzia à perda de mais de 50 milhares de milhões de euros em carga fiscal para as famílias portuguesas, a maior de sempre. Só os impostos indirectos no orçamento chumbado representavam 57% dessa carga: 26.400 milhões de euros em perdas para todos os portugueses; por exemplo, sempre que acendem uma luz, sustentando negócios inúteis de energia eólica.  

Reveladoramente, tal bizarra capa, focada no minúsculo ganho para as famílias em vez das gigantescas perdas em impostos (para não mencionar aumentos de preços de energia), foi imediatamente partilhada por muitos governantes e deputados do PS nas redes sociais, de maneira que parecia orquestrada. O PS, no orçamento, propunha-se tirar 50 às famílias portuguesas e só dar um, mas o que contava era o pequeníssimo cinquentavo favorável para a campanha eleitoral socialista, já em marcha. 

Várias televisões e directores de outros jornais, durante a manhã e dias seguintes, ecoaram essa mesma mensagem focada no 1/50 de “ganhos” travados para as famílias. Consenso total entre canais de televisão e jornais nacionais. Nem uma interrogação mediática sobre tanta generosidade socialista perdida para com o povo por causa dos malfadados da extrema-esquerda e de toda a direita, que votaram contra o orçamento do PS, que “tanto” teria dado às famílias portuguesas se tivesse sido aprovado. 

Não interessou informar que as famílias portuguesas teriam muitíssimo mais perdas que ganhos neste Orçamento de Estado. Mais perdas do que nunca: desde o IVA a aumentar 6% no novo ano, para ultrapassar os 18.200 milhões de euros, aos 13 milhões de euros previstos para serem obtidos com multas vindas dos novos radares do controlo de velocidade. Assumimos que o ministro Eduardo Cabrita não vai pagar nada em euros ou à Justiça, apesar do seu excesso de velocidade matar. 

As receitas do fundo ambiental sozinhas iriam duplicar, para retirarem perto de mil milhões de euros aos portugueses. Só aí, nesse um de tantos mais outros impostos, os portugueses perdiam logo tudo o que o PS supostamente lhes daria em ganhos. Se comprarem casa, no imposto de selo, as famílias portuguesas perdem outro milhar de milhões de euros, e por aí fora. 

Há jornais e TVs que parecem não ter vergonha de fazer parte da campanha eleitoral em marcha do PS. Também não referiram que só três negócios ligados ao PS – CP, TAP e Novo Banco – receberiam, juntos, no novo orçamento, aproximadamente seis milhares de milhões de euros: 600% por cento mais do que supostamente haveria em “ganhos” para todas as famílias portuguesas. Estas são certamente merecedores de terem mais ganhos que perdas muito maiores, desviadas para empresas sorvedoras do orçamento. Estas, não se percebe muito bem porquê, vivem bem melhor à custa do Orçamento de Estado que as famílias portuguesas. Com os ganhos que nunca lhes são travados, remodelam e pintam as cores das muitas casas que têm por todo o país, como aconteceu recentemente com o Novo Banco. Isso sim são grandes ganhos vindos do Orçamento de Estado, dignos de enorme manchete. 

Muitas vezes também tais jornais pecam por omissão sobre os escalões do IRS serem iguais ao resto da Europa, “esquecendo-se”, convenientemente, de dizer que enquanto, em Portugal, um trabalhador qualificado e bem pago em relação à média perde logo em IRS quase 50% de todo o seu ordenado, em muitos outros países só a parte final desse vencimento, aquela que está acima do valor mínimo desse novo escalão, é que é taxada ao nível mais alto. A primeiras partes do ordenado desse mesmo trabalhador são taxadas apenas aos valores percentuais de IRS correspondentes aos intervalos dos escalões mais baixos. Contas feitas, os impostos reais totais do IRS são muito mais altos em Portugal que no resto da Europa. Mas nas capas dos jornais tendenciosos são iguais e isto nunca é explicado. 

Parece-nos, pois, uma hipótese plausível que, para disfarçar que se estão simplesmente a auto-elogiar e a ocultar a verdade sobre o muito que tiram aos portugueses em impostos, os deputados e governantes do PS solicitam a moços de recados que influenciem manchetes altamente enviesadas a favor do PS. A seguir partilham essas notícias falsas que, de tão tendenciosas que são, desprestigiam os jornais que as publicam e minam a confiança dos cidadãos numa imprensa livre. 

Neste pântano lusitano, incluindo mediático, a verdade é passivamente ocultada aos portugueses e também é activamente censurada por todo o lado. O autor deste artigo escrito foi recentemente convidado para o programa na “SIC”, “Negócios da Semana”, do jornalista José Gomes Ferreira. Um dos poucos profissionais sérios e íntegros em canais televisivos. Entrevistado por ele, disse a verdade sobre negócios na energia misturados com políticos, ruinosos para os portugueses. Expliquei, de forma clara, que as estratégias em Portugal para desviar dinheiro do orçamento consistiam em fazer tudo o mais complexa e dispendiosamente possível para as famílias portuguesas. Tais famílias sofrem perdas ao ponto das companhias de energia até a água dos rios porem a andar para trás, à noite e de madrugada, contra o curso natural dos rios, para justificarem grandes perdas económicas dos contribuintes e utentes em energias renováveis e eólicas, que só produzem energia não armazenável em horas inúteis para as famílias. No entanto, muito úteis para ganhos de milhares de milhões de euros (não só um!) vindos do Orçamento de Estado para negócios privados do sector energético, com políticos nos conselhos de administração e dinheiro público para esbanjar em tal bizarra e ineficiente inutilidade de porem os rios a andar para trás! 

Um vídeo difundido pelo canal “Maria”, no “Youtube”, cujos promotores desconheço, que retransmite a minha intervenção para alertar os portugueses do que era feito contra eles, para lhes causar perdas monumentais na energia (ao contrário dos falsamente propagandeados ganhos por todo o lado), atingiu em menos de uma semana cerca de 25 000 visualizações e estava a tornar-se viral. Os portugueses, habituados as meias verdades na imprensa tradicional, raramente têm oportunidade de ver alguém a falar a verdade sobre porque razão são dos povos mais pobres e com mais perdas da Europa. Sem surpresas, e segundo o canal “Maria”, o vídeo foi rapidamente censurado, porque não se sabe quem o contestou no “Youtube” como sua propriedade. Neste ruinoso paraíso socialista à beira-mar plantado, supostamente e como na Coreia do Norte ou na Venezuela, só pode haver ganhos para as famílias e para o povo!