Tempestade perfeita

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Tenho idade suficiente para não me preocupar excessivamente com a evolução do país, o pior é que ficam cá os meus filhos e netos e os filhos e netos dos outros idosos. Quase 50 anos de socialismo levaram a nação a um estado de pobreza mendicante, a consequência natural do socialismo, sobretudo se a caminho do comunismo. Nada de novo, portanto.

Com o socialismo de Mário Soares parecia haver um projecto de governação que combatia com igual vigor os partidos, ditos não democráticos, à sua esquerda, como os partidos à sua direita. Depois, o PS evoluiu para um simples partido do poder pelo poder. Acelerou com Guterres (“jobs for the boys”), atingiu níveis de loucura com Sócrates, que acabou em bancarrota, e foi recuperado pelo seu delfim – o Costa – inteligente, habilidoso e manhoso, que à frente da tralha socrática mostrou grande eficácia no objectivo de ocupação do Estado pela “família” e consequente controlo da sociedade civil e suas instituições independentes, ou que deviam sê-lo. Mas mesmo um grande ilusionista não consegue enganar todos todo o tempo e cada vez mais gente disso se vai apercebendo.

O “estabilizador-mor” deu o seu contributo e ultimamente protagonizou o extraordinário espectáculo de ser o único a defender um orçamento que todos, incluindo o promotor, queriam chumbar.

A pandemia exigiu balões de oxigénio para muitos e foi também um para o governo, que nela encontrou desculpa e justificação para tudo, até um grande reforço da “autoridade do Estado”.

Depois da pandemia, apesar da “bazuca ou vitamina”, do “Portugal 2020” (ainda não completamente executado) e do “Portugal 2030”, o ambiente mostra-se cinzento. É a agenda da crise climática que tanto afecta pequenos países como o nosso, quando os grandes poluidores são a China e a USA. É a crise energética com a electricidade, caríssima, a que não serão estranhos, entre outros, os incríveis acordos socráticos para as renováveis, a subida do preço do petróleo e do gás natural, de que a Europa depende em 40 por cento da ex-URSS, que faz chantagem política. É o desequilíbrio, depois de sucessivos confinamentos, entre o aumento de consumo não acompanhado de equivalente aumento da produção, não por incapacidade, mas aumento dos custos de produção (escassez de matéria-prima devido ao consumo desenfreado da China, energia, etc.) que provoca tensão inflacionária e eventual subida da taxa de juros. Se se concretiza é enorme o risco de incumprimento do serviço da grande dívida de países como o nosso, cuja economia dificilmente consegue cobri-la. É a “Tempestade Perfeita”.