A nossa esquerda esqueceu-se de que a Venezuela existe…

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Em tempos, José Sócrates sorria ao lado do Presidente da ditadura venezuelana, PCP e BE acotovelavam-se para ver quem enaltecia mais o regime “bolivariano” e todas as cabeças “bem pensantes” da nossa praça pública esquerdista adoravam o “socialismo” de Caracas. Agora, que o país passa fome, a ditadura se revelou cruel e foram realizadas duas eleições-fantoche, onde se meteram os grandes defensores portugueses da Venezuela?

Realizaram-se “eleições” presidenciais na Venezuela e venceu, como não podia deixar de ser, Nicolás Maduro, o actual ditador. É fácil vencer, quando se proíbe o principal adversário de concorrer. A abstenção foi elevadíssima, em grande parte porque o país está a morrer de fome, mas votar na oposição é quase uma sentença de morte visto que, graças a truques como o “cartão pátria” (já relatado por este jornal em edições anteriores), os socialistas bolivarianos castigam os bairros que “votem mal”.

Seria disto que falava o Partido da Esquerda Europeia em 2013, quando bradava aos seus que “enquanto na Europa a democracia está a falhar, na Venezuela a democracia participativa tornou-se um sinal de identidade”?

Pelos vistos, esta “identidade” da “democracia participativa” apenas é engraçada quando o povo vota na esquerda. Mas os tempos mudaram e a esquerda, especialmente a portuguesa, está calada que nem um rato em relação à Venezuela, apesar de há apenas uns anos ter promovido esse país como uma “alternativa à austeridade” da direita, que afinal até não era tão radical como as actuais ‘cativações’, que contam com a assinatura do BE e do PCP.

  • Leia este artigo na íntegra na edição impressa desta semana.