Nuno Melo: europeístas, mas não federalistas

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“António Costa está disponível para vender os interesses vitais de Portugal em Bruxelas a preço de saldo” – acusa Nuno Melo, eurodeputado e novamente cabeça de lista ao Parlamento Europeu pelo CDS. Em resposta a questionário d’O DIABO, é incisivo quando se fala da criação de impostos europeus: “Repudiamos a possibilidade da criação de uma máquina tributária em Bruxelas. A fiscalidade é uma área soberana dos Estados. De resto, Portugal atingiu com o actual Governo a maior carga fiscal dos últimos 22 anos”. Nuno Melo frisa que “o maior erro que se pode cometer é achar que o Brexit se deve apenas a um capricho justificado pela peculiar personalidade dos britânicos”, enunciando outras causas, como “a crescente burocratização institucional, a violação permanente do princípio da subsidiariedade, a imposição a povos tão diferentes de decisões que, pelas suas características, muitos consideram profundamente erradas, a corrupção endémica, a imposição de modelos crescentemente federalistas que a maior parte dos europeus rejeitam”. E avisa: se a EU insistir no federalismo, “não será de excluir que, depois do Reino Unido, outros países lhe queiram seguir o caminho”.

Escolheu como slogan de campanha a frase “A Europa é aqui”. Quer clarificar a mensagem?

A perspectiva oposta da que o PS significa. Há semanas, António Costa disse que o PS é o partido que melhor representa a Europa em Portugal. Já os candidatos do CDS ao Parlamento Europeu querem ser representantes de Portugal em Bruxelas. Somos profundamente europeístas, mas ao contrário do que acontece no PS, não somos federalistas. Acreditamos num projecto de nações. Portugal é uma nação com mais de nove séculos de história, não é uma região da UE, nem aceitamos que a prazo se transforme nisso. Reclamamos respeito pelo princípio da subsidiariedade, que é uma regra escrita nos tratados, mas que Bruxelas trata muitas vezes como a excepção e com isso promove a ascensão de todos os nacionalismos. O princípio da subsidiariedade implica que Bruxelas deve agir onde os países não façam melhor. Mas a Comissão Europeia, por vezes com a ajuda declarada de sectores do Parlamento, em vez de se concentrar nos possíveis denominadores comuns, esforça-se por impor frequentemente aos 28 países niveladores artificiais, esquecendo-se de que a Europa é um mosaico, com histórias, línguas, tradições, sensibilidades e realidades muito diferentes.

Nas nossas acções de rua é comum ouvir, “Sr. Deputado, olhe… nós também somos Europa, a Europa também é aqui”. Este sentimento, que coincide com o nosso, resume-se na nossa frase de campanha: Portugal. A Europa é aqui.

Disse recentemente: “Achamos que Bruxelas deve estar apenas onde Portugal não faz melhor”. Pode adiantar onde se deve fazer a separação de águas?

Voltando à questão do federalismo e da subsidiariedade, a separação de águas deve fazer-se onde, intervindo, a realidade europeia possa fazer melhor, ou potencie o que se faz em cada um dos países, casos da política agrícola comum (PAC), da protecção civil, dos programas de intercâmbio de alunos ou profissionais, ou de alguns aspectos relacionados com a segurança interna, para dar alguns exemplos.

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